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Trabalho · Jornada

Fim da escala 6x1: calculadora e horas trabalhadas por UF

A Emenda Constitucional 141 leva a jornada a 42 horas semanais em dezembro de 2026 e a 40 horas um ano depois, sem redução de salário. Calcule o que muda no valor da sua hora e veja quanto se trabalha, em média, em cada estado.

Por Dado Bruto · 28 out. 2026 · 7 min de leitura CalculadoraHoras por estadoOutros paísesFontes e método

A emenda foi promulgada em 16 de outubro de 2026 e publicada no Diário Oficial da União no mesmo dia. Ela fixa a jornada normal em até 40 horas por semana, prevê dois dias de repouso semanal e proíbe a redução de salário. A mudança vem em duas etapas: 42 horas dois meses depois da publicação, ou seja, a partir de 16 de dezembro de 2026, e 40 horas um ano depois dessa primeira etapa, em torno de 16 de dezembro de 2027.

Esta página tem duas partes. A primeira é uma calculadora: com o salário mantido, menos horas significam uma hora de trabalho mais cara. A segunda mostra os dados da PNAD Contínua, do IBGE, sobre as horas que as pessoas ocupadas dizem trabalhar habitualmente, por estado, sexo, idade, instrução, posição na ocupação e cor ou raça.

O que os dados medem e o que não medem. A PNAD mede horas, não a escala em que cada pessoa trabalha. Por isso esta página não diz quantas pessoas estão na escala 6x1. Os números abaixo são médias de horas habituais; uma média não revela quantos trabalham mais de 44, 42 ou 40 horas.

Calculadora: o valor da hora com a jornada menor

Aviso. É uma simulação. O resultado depende de regulamentação, de acordo ou convenção coletiva e das exceções previstas na emenda. Não é parecer jurídico nem cálculo trabalhista oficial.

Valor da hora = salário ÷ (horas semanais × 52 ÷ 12), com o salário mantido. É o valor por hora trabalhada; o divisor usado na CLT para quem recebe por mês (220 horas para 44 semanais) dá um valor absoluto maior, mas a mesma variação percentual. Quem já trabalha 40 horas ou menos não tem redução (art. 4º). A fase de 42 horas distribuída em 5 dias passa de 8 horas por dia; essa distribuição depende de acordo ou convenção (art. 7º, regra de transição).

O que diz o texto da emenda

  • Prazos. O art. 6º fixa 42 horas semanais dois meses após a publicação e 40 horas um ano depois desse prazo. O texto fala em meses, não em dias. A data de 16/12/2026 é a nossa contagem a partir de 16/10/2026; outros veículos citam 15/12 como o último dia do prazo.
  • Salário. A redução da jornada vale para os contratos em vigor, sem redução salarial.
  • Diploma superior. O art. 8º tira das regras de duração e controle de jornada quem tem diploma de nível superior e remuneração mensal de pelo menos 2,5 vezes o teto do INSS (R$ 8.475,55 em 2026, o que dá cerca de R$ 21,2 mil). Servidores públicos não entram nessa exceção.
  • Contratos públicos. Contratos da administração pública com mão de obra direta têm até um ano para se adequar (art. 9º).
  • Acordos e convenções coletivas. A emenda admite regime compensatório por acordo ou convenção e prevê regras de transição (arts. 1º e 7º). Depois de dois meses, cláusulas coletivas sobre duração do trabalho incompatíveis com a emenda perdem efeito (art. 3º).
  • Micro e pequenas empresas. O art. 5º diz que lei complementar poderá criar medidas transitórias para MEI, microempresas e empresas de pequeno porte, condicionadas à manutenção do emprego. Essa lei ainda não existe.
  • Regimes diferenciados. A emenda remete a lei futura a definição de regimes específicos, respeitado o limite de 40 horas e os dois dias de repouso.

Não encontramos, até 28 de outubro, decreto, projeto de lei complementar ou anúncio concreto de regulamentação.

Linha do tempo

  1. 1943 A CLT consolida a regra de 8 horas por dia e 48 por semana, em geral em seis dias, vigente desde os anos 1930.
  2. 24/02/1988 Na Constituinte, o Plenário rejeita a jornada de 40 horas, por 308 votos a 193.
  3. 05/10/1988 A Constituição fixa 8 horas por dia e 44 por semana, com compensação e redução por negociação coletiva.
  4. 14/10/2026 O Senado aprova a PEC 221/2019 em dois turnos, no mesmo dia, por 75 votos a 1 em cada um.
  5. 16/10/2026 Promulgação da Emenda Constitucional 141, com publicação no Diário Oficial da União (edição extra).
  6. 16/12/2026 Começa a etapa de 42 horas semanais e dos dois dias de repouso (contagem nossa; o prazo é de dois meses).
  7. Em torno de 16/12/2027 Jornada normal de 40 horas semanais, um ano depois da primeira etapa.

Quanto se trabalha, em média, em cada estado

No 2º trimestre de 2026, as pessoas ocupadas no Brasil trabalhavam em média 39,1 horas por semana no trabalho principal, contra 40,6 no 1º trimestre de 2012. Entre os estados, a média vai de 34,9 horas (Piauí) a 40,9 (Santa Catarina). Cinco estados têm média de 40 horas ou mais; em nenhum a média chega a 41.

Uma média abaixo de 40 horas não quer dizer que a mudança não alcance ninguém no estado: ela mistura quem trabalha pouco, quem trabalha em tempo parcial e quem trabalha muito mais. Também inclui pessoas que não são empregadas com carteira, como conta própria e empregadores, que a emenda não atinge da mesma forma.

Média de horas habituais por semana, 2º tri 2026
Rondônia: 39,1 h por semanaAcre: 37,1 h por semanaAmazonas: 36,2 h por semanaRoraima: 39,2 h por semanaPará: 36,9 h por semanaAmapá: 38,0 h por semanaTocantins: 38,1 h por semanaMaranhão: 35,4 h por semanaPiauí: 34,9 h por semanaCeará: 37,1 h por semanaRio Grande do Norte: 37,6 h por semanaParaíba: 37,3 h por semanaPernambuco: 38,0 h por semanaAlagoas: 37,2 h por semanaSergipe: 37,3 h por semanaBahia: 36,6 h por semanaMinas Gerais: 39,4 h por semanaEspírito Santo: 38,9 h por semanaRio de Janeiro: 39,2 h por semanaSão Paulo: 40,7 h por semanaParaná: 40,0 h por semanaSanta Catarina: 40,9 h por semanaRio Grande do Sul: 39,9 h por semanaMato Grosso do Sul: 39,7 h por semanaMato Grosso: 40,4 h por semanaGoiás: 40,5 h por semanaDistrito Federal: 39,4 h por semana
  • até 36,6
  • 36,6 a 37,2
  • 37,2 a 38,0
  • 38,0 a 39,1
  • 39,1 a 39,4
  • 39,4 a 40,4
  • 40,4 ou mais
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, tabela 6371 do SIDRA. Trabalho principal, pessoas de 14 anos ou mais ocupadas. Classes por quantis dos 27 estados.
#EstadoHoras/semanaCV (%)
1Santa Catarina40,90,2
2São Paulo40,70,3
3Goiás40,50,4
4Mato Grosso40,40,4
5Paraná40,00,3
6Rio Grande do Sul39,90,3
7Mato Grosso do Sul39,70,4
8Minas Gerais39,40,3
9Distrito Federal39,40,4
10Rio de Janeiro39,20,3
11Roraima39,20,7
12Rondônia39,10,6
13Espírito Santo38,90,3
14Tocantins38,10,6
15Pernambuco38,00,5
16Amapá38,00,8
17Rio Grande do Norte37,60,6
18Sergipe37,30,7
19Paraíba37,30,6
20Alagoas37,20,5
21Ceará37,10,5
22Acre37,10,5
23Pará36,90,6
24Bahia36,60,5
25Amazonas36,20,6
26Maranhão35,40,5
27Piauí34,90,7
Brasil39,10,1

Clique no nome do estado para abrir a página dele. CV: coeficiente de variação da estimativa, em %. Quanto maior, menos precisa.

Média de horas habituais por semana, por trimestre
 
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, SIDRA tabela 6371. Linhas tracejadas: 40, 42 e 44 horas. Faixa cinza: trimestres de 2020-T2 a 2022-T1, sem dado por estado nas tabelas de origem; as linhas não são ligadas por cima da lacuna.
Ver a série do Brasil em tabela
TrimestreHoras/semana
2º tri 202639,1
1º tri 202639,2
4º tri 202539,1
3º tri 202539,1
2º tri 202539,2
1º tri 202539,3
4º tri 202439,1
3º tri 202439,1
2º tri 202439,2
1º tri 202439,3
4º tri 202339,1
3º tri 202339,0
2º tri 202339,2
1º tri 202339,3
4º tri 202239,3
3º tri 202239,3
2º tri 202239,3
1º tri 202239,4
4º tri 202139,3
3º tri 202139,2
2º tri 202139,1
1º tri 202139,2
4º tri 202039,1
3º tri 202039,2
2º tri 202039,2
1º tri 202039,2
4º tri 201939,1
3º tri 201939,0
2º tri 201938,9
1º tri 201939,1
4º tri 201839,0
3º tri 201838,9
2º tri 201838,9
1º tri 201839,1
4º tri 201739,0
3º tri 201739,0
2º tri 201739,1
1º tri 201739,3
4º tri 201639,3
3º tri 201639,3
2º tri 201639,2
1º tri 201639,3
4º tri 201539,3
3º tri 201539,3
2º tri 201539,4
1º tri 201539,6
4º tri 201439,7
3º tri 201439,7
2º tri 201439,8
1º tri 201440,0
4º tri 201340,0
3º tri 201340,1
2º tri 201340,0
1º tri 201340,2
4º tri 201240,3
3º tri 201240,2
2º tri 201240,3
1º tri 201240,6

Por sexo, idade, instrução, posição e cor

No Brasil, os homens trabalham em média 40,9 horas por semana e as mulheres, 36,9. Entre os empregados, a média é de 39,6 horas; entre os que trabalham por conta própria, 44,9. A emenda trata da duração do trabalho nas relações de emprego; autônomos sem vínculo não são atingidos diretamente, segundo a checagem do Aos Fatos. Use o seletor para ver outro estado.

Fonte: IBGE, PNAD Contínua, SIDRA tabelas 6371 a 6374 e 6406, 2º trimestre de 2026. * Coeficiente de variação de 1% ou mais: estimativa menos precisa. Linhas tracejadas: 40, 42 e 44 horas.

E em outros países

Na América Latina, a Colômbia concluiu em julho de 2026 a redução para 42 horas, o Chile está no meio da sua e o México aprovou a dele em 2026. Em Portugal, na Espanha e no Japão, o limite é de 40 horas; na França, a duração legal é de 35. Os números abaixo são limites legais, não horas efetivamente trabalhadas.

PaísLimite da jornada normal hojeMudança em curso
Brasil44 h42 h a partir de 16/12/2026 e 40 h em torno de 16/12/2027 (Emenda Constitucional 141)
Chile42 h (desde 26/04/2026)Era 45 h; 44 h desde 26/04/2024; 40 h em 26/04/2028 (Lei 21.561)
Colômbia42 h (desde julho de 2026)Era 48 h; redução gradual desde 2023 (Lei 2.101 de 2021)
México48 hReforma constitucional publicada em março de 2026: 2 horas a menos por ano de 2027 a 2030, até 40 h
Argentina48 h (8 por dia)Nenhuma em vigor (Lei 11.544)
Portugal40 h (8 por dia)Nenhuma (Código do Trabalho, art. 203)
Espanha40 hProjeto de 37,5 h rejeitado no Congresso em 10/09/2025, por 178 votos a 170
França35 h (duração legal)Nenhuma; acima de 35 h, contam horas extras (Code du travail, art. L3121-27)
Japão40 h (8 por dia)Nenhuma (Lei de Normas Trabalhistas, art. 32)
Estados UnidosSem limite para adultosAcima de 40 h na semana, a hora extra é paga com pelo menos 50% a mais (FLSA)

O número não quer dizer sempre a mesma coisa. No Brasil, em Portugal e no Japão, é o teto da jornada normal; na França e nos Estados Unidos, é o ponto a partir do qual a hora vira extra. Para comparar horas efetivamente trabalhadas entre países, a fonte é a OIT (ILOSTAT); esses dados ainda não estão nesta página.

Fontes e método

Limites dos dados: a PNAD mede horas habituais, não a escala nem a jornada contratada, e a média esconde a distribuição. Os trimestres de 2020-T2 a 2022-T1 não existem nas tabelas por estado, sexo, idade, instrução, posição e cor; só o total do Brasil tem valor nesse período. A categoria "não determinado" de instrução foi descartada. Estimativas por estado têm margem de erro; o CV acompanha cada valor nos arquivos. Nada nesta página estima quantas pessoas estão na escala 6x1.

Baixar os dados (CSV): média por estado e trimestre · cortes do Brasil por trimestre · cortes por estado, 2º tri 2026.

Pode reutilizar. Os gráficos e os dados desta análise podem ser copiados e republicados, até para fins comerciais, sob a licença CC BY 4.0. Basta citar “dadobruto.com” e, na internet, linkar para esta página ou para dadobruto.com. Os números originais seguem as regras de cada fonte citada. O texto da análise fica fora da licença.

Como citar: Dado Bruto. Fim da escala 6x1: calculadora e horas trabalhadas por UF. Código DB-AN-0012. Publicado em 28/10/2026. https://dadobruto.com/analises/fim-da-escala-6x1

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