O desemprego caiu em todos os estados. A distância entre eles depende da régua
Entre 2021 e 2026, a taxa de desocupação recuou nas 27 unidades da federação. Medida em pontos, a diferença entre o melhor e o pior estado caiu pela metade. Medida em proporção, cresceu.
Por Dado Bruto · 12 out. 2026 · 6 min de leituraFontes e método
No segundo trimestre de 2021, 14,2% das pessoas na força de trabalho brasileira estavam procurando emprego sem encontrar. Cinco anos depois, no mesmo trimestre de 2026, eram 5,4%. É uma queda de 62%, e o número de 2026 é o segundo menor da série da PNAD Contínua, que começa em 2012. Só perde para os 5,1% do fim de 2025.
A linha abaixo mostra o caminho inteiro. O desenho em serrote é sazonal: a taxa costuma subir todo primeiro trimestre, quando terminam os contratos temporários de fim de ano. Por isso, nesta peça, toda comparação é feita entre segundos trimestres.
Taxa de desocupação no Brasil, por trimestre (%)
2º tri 2026: 5,4%
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, tabela 4099. Pessoas de 14 anos ou mais. Faixas cinza: recessão de 2014–2016 (datação do Codace/FGV) e pandemia (2020–2021).Ver a série em tabela
Trimestre
Taxa (%)
2º tri 2026
5,4
1º tri 2026
6,1
4º tri 2025
5,1
3º tri 2025
5,6
2º tri 2025
5,8
1º tri 2025
7,0
4º tri 2024
6,2
3º tri 2024
6,4
2º tri 2024
6,9
1º tri 2024
7,9
4º tri 2023
7,4
3º tri 2023
7,7
2º tri 2023
8,0
1º tri 2023
8,8
4º tri 2022
7,9
3º tri 2022
8,7
2º tri 2022
9,3
1º tri 2022
11,1
4º tri 2021
11,1
3º tri 2021
12,7
2º tri 2021
14,2
1º tri 2021
14,9
4º tri 2020
14,2
3º tri 2020
14,9
2º tri 2020
13,6
1º tri 2020
12,4
4º tri 2019
11,1
3º tri 2019
11,9
2º tri 2019
12,1
1º tri 2019
12,8
4º tri 2018
11,7
3º tri 2018
12,0
2º tri 2018
12,6
1º tri 2018
13,2
4º tri 2017
11,9
3º tri 2017
12,5
2º tri 2017
13,1
1º tri 2017
13,9
4º tri 2016
12,1
3º tri 2016
11,9
2º tri 2016
11,4
1º tri 2016
11,0
4º tri 2015
9,1
3º tri 2015
9,0
2º tri 2015
8,4
1º tri 2015
8,0
4º tri 2014
6,6
3º tri 2014
6,8
2º tri 2014
6,9
1º tri 2014
7,2
4º tri 2013
6,2
3º tri 2013
7,0
2º tri 2013
7,5
1º tri 2013
8,0
4º tri 2012
6,9
3º tri 2012
7,1
2º tri 2012
7,6
1º tri 2012
8,0
Ninguém ficou para trás
A queda não foi privilégio de uma região. Os 26 estados e o Distrito Federal terminaram o período com desemprego menor do que começaram. O Espírito Santo teve o maior recuo proporcional: de 11,6% para 2,3%, uma redução de 80%. O Amapá teve o menor: de 16,1% para 9,8%, queda de 39%. Com isso, passou a ter a maior taxa do país.
No gráfico, cada linha é uma unidade da federação. O ponto laranja é 2021; o azul, 2026. Quanto maior o traço entre eles, maior a queda em pontos.
Taxa de desocupação por UF, 2º trimestre (%)
2º tri 20212º tri 2026
05101520
2021 → 2026
Brasil
14,2 → 5,4
Amapá
16,1 → 9,8
Bahia
20,2 → 9,1
Piauí
15,4 → 8,3
Pernambuco
21,8 → 8,3
Alagoas
19,2 → 7,9
Sergipe
19,5 → 7,9
Amazonas
15,8 → 7,5
Rio de Janeiro
17,9 → 7,1
Acre
16,3 → 6,6
Ceará
15,1 → 6,6
Distrito Federal
14,4 → 6,5
Pará
13,5 → 6,2
Maranhão
17,8 → 6,0
Rio Grande do Norte
16,3 → 5,6
Paraíba
15,5 → 5,4
São Paulo
14,6 → 5,4
Roraima
14,1 → 5,0
Rio Grande do Sul
8,8 → 4,2
Tocantins
15,9 → 4,1
Goiás
12,5 → 4,0
Minas Gerais
12,7 → 3,8
Paraná
9,1 → 3,1
Mato Grosso do Sul
9,9 → 2,7
Rondônia
9,8 → 2,6
Espírito Santo
11,6 → 2,3
Mato Grosso
9,1 → 2,2
Santa Catarina
5,9 → 2,1
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, tabela 4099. 2º trimestre de 2021 e 2º trimestre de 2026.
Duas réguas, duas respostas
Em 2021, a diferença entre o estado com mais desemprego, Pernambuco (21,8%), e o com menos, Santa Catarina (5,9%), era de 15,9 pontos percentuais. Em 2026, entre Amapá (9,8%) e Santa Catarina (2,1%), é de 7,7 pontos. Por essa régua, o país ficou mais parecido consigo mesmo.
Agora pela outra. Em 2021, a taxa de Pernambuco era 3,7 vezes a catarinense. Em 2026, a do Amapá é 4,7 vezes. Por essa régua, a distância aumentou.
Diferença em pontos
15,9→7,7
Encolheu pela metade
Maior ÷ menor taxa
3,7×→4,7×
Aumentou
As duas contas estão certas. O que muda é a pergunta. Pontos percentuais respondem quanto falta para um estado alcançar o outro. A proporção responde quão diferente é a chance de alguém estar desempregado num lugar e no outro. Quando todas as taxas caem, a primeira régua tende a encolher mesmo que a desigualdade relativa fique igual ou piore. Uma medida que olha todos os estados, e não só os extremos, conta a mesma história: o coeficiente de variação entre as 27 taxas subiu de 0,27 para 0,40.
O que estes gráficos não dizem é por que alguns estados caíram mais que outros. Informalidade, peso do emprego público, agropecuária e migração entram nessa conta, e cada um pede seus próprios dados. Fica para as próximas peças.
Como fizemos
Fonte: IBGE, PNAD Contínua trimestral, tabela 4099, taxa de desocupação na semana de referência, pessoas de 14 anos ou mais.
Dados consultados em 12/10/2026 pela API do SIDRA. A série nacional vai do 1º trimestre de 2012 ao 2º trimestre de 2026.
Comparamos sempre o 2º trimestre com o 2º trimestre, para não misturar efeito sazonal.
Queda relativa = 1 − (taxa 2026 ÷ taxa 2021). Coeficiente de variação = desvio padrão populacional ÷ média das 27 taxas.
Taxas estaduais têm margem de erro maior que a nacional. Diferenças de poucos décimos entre estados não devem ser lidas como ranking firme.