PF indicia Vorcaro, ex-presidente do BRB e mais 13 por fraudes no caso Master
Relatório parcial de mais de 700 páginas foi enviado ao STF; PF pede mais 60 dias para concluir diligências
Na quarta-feira (28), a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório parcial com mais de 700 páginas, no qual indicia o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e outras 13 pessoas. A medida integra o inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master.
Segundo a PF, Vorcaro responde por suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, indução a erro, fraude na fiscalização, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. De acordo com o relatório, ele figura como líder do grupo e responsável por coordenar a criação, a compra e a transferência das carteiras de crédito utilizadas pelo Master. Já Costa é indicado como o principal articulador das operações no BRB, sendo-lhe atribuídos os crimes de gestão fraudulenta e de organização criminosa.
Segundo a PF, diretores do Master manipularam planilhas do Excel para simular carteiras de consignados sem lastro. A investigação também aponta que parte dos documentos foi produzida ou complementada depois das datas que apresentavam. Para os investigadores, a Tirreno, empresa de fachada, foi usada como intermediária formal nas operações com o BRB. A PF afirma ainda que o banco estatal seguiu comprando carteiras mesmo após alertas internos sobre inadimplência e falhas de documentação.
Segundo o documento, as operações sob investigação totalizam R$ 17,5 bilhões. Os valores de prejuízo, contudo, variam conforme a origem da informação: o Correio Braziliense cita algo em torno de R$ 8 bilhões, com base no próprio BRB; a DW Brasil refere-se a aproximadamente R$ 2,7 bilhões já levantados pela PF; e o InfoMoney indica que R$ 12,2 bilhões dizem respeito a créditos cuja existência não teria sido comprovada.
A defesa de Vorcaro classificou o indiciamento como « ato açodado e afoito ». Segundo os advogados, o relatório repete a narrativa de um ano atrás, sem fatos ou provas novas. Eles dizem que nenhuma perícia oficial apurou prejuízo ao BRB, afirmam que a relação entre Master e BRB é matéria cível e pedem o arquivamento do inquérito e a revogação da prisão preventiva.
A defesa de Paulo Henrique Costa disse ter recebido o indiciamento com surpresa. Os advogados afirmam que ele não tinha conhecimento das fraudes nas carteiras e que todas as decisões eram colegiadas. Também dizem que a prisão preventiva não foi revista e que confiam que a Procuradoria-Geral da República descartará as acusações.
Vorcaro e Costa estão detidos no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, instalada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. As fontes consultadas não apresentam posicionamento das defesas dos outros 13 indiciados.
A lista inclui Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master, os executivos Angelo Antônio Ribeiro da Silva, Luiz Antonio Bull e Alberto Félix de Oliveira Neto, o advogado Daniel Lopes Monteiro, sócios ligados à Tirreno e ex-dirigentes do BRB, entre eles Dario Oswaldo Garcia Junior, que foi diretor de Finanças.
Indiciamento não equivale a condenação. O Poder360 destaca que as acusações ainda precisam ser analisadas pelas autoridades competentes. A PF solicitou ao STF um prazo de 60 dias para finalizar perícias pendentes e análises bancárias, fiscais e patrimoniais, além de verificar se outras pessoas tomaram parte na elaboração de documentos e na aprovação das operações.
Há divergência sobre quem conduz o caso no STF. O Correio Braziliense e o InfoMoney informam que o ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero, analisará o relatório e o pedido de prazo. A Gazeta do Povo informa que o processo está sob responsabilidade do presidente da Corte, Edson Fachin, que afastou Mendonça temporariamente da relatoria.
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