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Mundo05h55

Partido Comunista da China expulsa 33 integrantes em plenário recorde de expurgo

Dezesseis dos expulsos são militares, e o encontro teve o menor número de participantes desde a chegada de Xi Jinping ao poder.

Por Redação Dado Bruto · Fontes
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Ilustração: Congresso Nacional, em formas geométricas
Ilustração: dadobruto.com · sobre as imagens

O Partido Comunista da China expulsou 33 integrantes ao fim do quinto plenário do Comitê Central, encontro de quatro dias realizado a portas fechadas em um hotel em Pequim. Dezesseis dos expulsos são das Forças Armadas, segundo comunicado divulgado nesta quinta-feira (29).

Entre os alvos estão o ex-chefe do partido em Xinjiang, Ma Xingrui, e os ex-generais Zhang Youxia e Liu Zhenli. Os comunicados oficiais que anunciaram os afastamentos dizem que eles violaram gravemente a disciplina e as regras partidárias. A expressão costuma ser interpretada como eufemismo para corrupção. O partido não detalhou quais acusações específicas pesam sobre os expulsos, além de "graves violações disciplinares e legais".

O presidente Xi Jinping transformou o combate à corrupção em eixo de seu governo desde 2012 e a classifica como a "maior ameaça" ao partido. Observadores afirmam que, para Xi, o problema vai além do desvio de recursos e inclui a falta de pureza ideológica e a deslealdade. Em janeiro, ele havia alertado contra "quadros de duas caras", que declaram lealdade, mas desobedecem a ordens e agem em benefício próprio.

O plenário contou com 279 membros do Comitê Central. No quarto plenário, em outubro de 2025, foram 315, e no terceiro, em julho de 2024, foram 364. Esta foi a primeira vez, em 14 anos de liderança de Xi, que a participação ficou abaixo de 300. O atual comitê começou o mandato, em 2022, com mais de 370 membros.

Segundo as fontes, as expulsões elevam para 51 o total de integrantes afastados durante o terceiro mandato de Xi. No primeiro mandato, foram 35, e no segundo, cinco. Em paralelo, o órgão anticorrupção da China informou que 680 mil pessoas foram punidas disciplinarmente nos primeiros nove meses do ano.

O expurgo atingiu o alto escalão militar. Zhang Youxia era vice-presidente da Comissão Militar Central, órgão que controla as Forças Armadas. Com os afastamentos, a comissão, que tinha sete integrantes, ficou com dois: Xi, como presidente, e Zhang Shengmin, como vice-presidente. Os pesquisadores Neil Thomas, Lobsang Tsering e Shengyu Wang, do Asia Society Policy Institute, classificaram a operação como "algo sem precedentes" e afirmaram que ela levanta dúvidas sobre a liderança organizacional e a prontidão para o combate.

Ma Xingrui e Zhang Youxia também integravam o Politburo, principal órgão de decisão do partido. Com a saída dos dois e a do ex-general He Weidong, em 2025, o colegiado, que tem 24 vagas, chegou a 21 membros. Durante o plenário, Zhang Shengmin foi promovido ao Politburo, que passou a ter 22 integrantes.

Também está entre os expurgados o ex-diplomata Liu Jianchao, que desapareceu da vida pública em julho do ano passado. Para Chong Ja Ian, pesquisador não residente do Carnegie China, a campanha "se tornou um esforço para consolidar e manter a autoridade". Ele afirma que ela continuará e se expandirá conforme a sensação de segurança de Xi no poder, e não em função de problemas concretos de corrupção.

Analistas consultados pelas fontes avaliam que a ênfase na disciplina partidária tem relação com o 21º Congresso do Partido, previsto para o próximo ano, quando deve ser escolhido o próximo líder. Muitos deles acreditam que Xi permanecerá no cargo por um quarto mandato. Segundo a BBC, o comunicado do plenário indica que ele pretende seguir no centro do poder por um período longo.

Participação no Comitê Central caiu a cada plenário desde julho de 2024
Terceiro plenário (jul/2024)
364 integrantes presentes
Quarto plenário (out/2025)
315 integrantes presentes
Quinto plenário (out/2026)
279 integrantes presentes
Fonte: dados citados nas reportagens listadas abaixo. Gráfico do Dado Bruto.
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