Ex-presidente do BRB diz à PF que Ibaneis pediu estruturação de venda ao Master
Segundo o depoimento, Vorcaro exigiu acordo de acionista para garantir controle do banco; defesa do ex-governador nega ter sugerido a operação.
Em depoimento prestado à Polícia Federal no dia 15 de outubro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, declarou que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), solicitou a ele que organizasse uma operação que envolvesse o BRB e o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo o relato, o pedido foi feito em 24 de setembro de 2024, durante um jantar na casa de Vorcaro. Paulo Henrique disse que o gabinete de Ibaneis o convocou por mensagem enquanto ele estava em viagem a Salvador, na Bahia. Ele afirmou ter tentado evitar o encontro, mas voltou a Brasília para comparecer. Havia cerca de sete pessoas no local, segundo ele, sem que revelasse os nomes. Ibaneis, de acordo com o depoente, apresentou Vorcaro e pediu que o BRB fosse estruturado para uma operação com o Master.
Paulo Henrique disse que a conversa incluiu a venda de ações do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev), que, segundo ele, tinha cerca de 16,5% do capital do BRB. Ele relatou que Vorcaro demonstrou preocupação com a troca de governo, por se tratar de banco público, e afirmou que precisava de um acordo de acionista que garantisse controle. A informação sobre o Iprev aparece no depoimento tal como relatado pelo ex-presidente.
Ainda segundo o depoente, a proposta o surpreendeu, porque ele defendia internamente que o banco não fosse vendido. Ele disse que cumpriria a determinação, já que o acionista do BRB é o Governo do Distrito Federal. Paulo Henrique afirmou também ter se posicionado contra a privatização em uma reunião posterior com Ibaneis.
Por meio de nota, a defesa de Ibaneis rejeitou as informações prestadas. Segundo o comunicado, o ex-governador "jamais sugeriu" ao então presidente do BRB qualquer providência para iniciar tratativas com o Banco Master. Já os advogados, sob a coordenação de Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmam que Paulo Henrique detinha autonomia e responsabilidade pelas operações da instituição, além de sustentar que não procede a alegação de que Ibaneis tenha lhe apresentado Vorcaro.
Os advogados pediram que Paulo Henrique não comentasse quem participou do jantar, citando a possibilidade de um acordo de delação premiada. O ex-gestor, preso atualmente, não revelou os nomes.
O depoimento integra a investigação da PF sobre a relação entre o BRB e o Banco Master. Paulo Henrique e Vorcaro estão presos, segundo a reportagem do G1. As declarações do ex-presidente são o relato de um investigado e não foram confirmadas por documentos citados nas fontes.
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