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Defesa de Vorcaro aponta alterações em celular após apreensão

PF indiciou o ex-banqueiro e outros 14 investigados; defesa contesta provas e pede soltura

Por Redação Dado Bruto · Fontes
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A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, entregou nesta quinta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF) um parecer preliminar de perícia contratada pelos advogados. O documento aponta alterações em arquivos do celular de Vorcaro depois da apreensão do aparelho, em 17 de novembro de 2025.

A defesa usa o laudo para contestar as provas da Polícia Federal (PF) e pede a soltura do ex-banqueiro. Na véspera, a PF indiciou Vorcaro e outras 14 pessoas na Operação Compliance Zero, em inquérito sobre operações ligadas ao Banco Master e ao Banco de Brasília (BRB).

Segundo o laudo particular, 657 arquivos foram modificados e 436 foram criados depois da apreensão. Entre eles, há 94 imagens e cinco bancos de dados. O documento também registra 33 ativações da câmera frontal pelo reconhecimento facial e três conexões pela porta USB, com o aparelho sob custódia policial.

O perito cita 207 eventos de tela entre 23h22 de 17 de novembro e 2h25 de 18 de novembro, período em que o celular estava em modo avião. A defesa afirma que registros de senhas também foram criados ou modificados entre 2h03 e 2h25, horário que, segundo os advogados, não consta do termo de apreensão.

A própria defesa reconhece limites no laudo. Segundo o pedido, o registro de modificação não permite concluir que uma pessoa tenha feito a alteração. O documento afirma, porém, que o estado dos arquivos mudou enquanto o aparelho estava sob custódia do Estado.

Os advogados pedem que a PF preserve os dados brutos da extração, com registros técnicos, valores de hash e a documentação completa da cadeia de custódia. Também solicitam acesso a fotos dos lacres usados na apreensão e aos registros de manuseio do aparelho entre a abordagem e a perícia. Segundo a defesa, esses dados são pedidos desde fevereiro.

Em nota, a defesa classificou as alterações como preocupantes. "É estarrecedor que o perito tenha identificado que centenas de arquivos do celular apresentem registros de modificação", afirmou. Os advogados também sustentam que a prisão de Vorcaro não tem respaldo em acusação formal.

A PF não quis se manifestar sobre o laudo da defesa. Procurada, a assessoria do órgão também não comentou a acusação.

O indiciamento foi concluído em relatório de mais de 700 páginas, entregue ao STF na quarta-feira (28). Segundo o relatório, Vorcaro teve "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas operações com carteiras de crédito do Banco Master que causaram prejuízos ao BRB. A PF o aponta como controlador do banco e principal beneficiário das operações.

Os investigados foram indiciados por gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. No caso de Vorcaro, o relatório também atribui fraude à fiscalização e indução ou manutenção em erro sobre operação financeira.

Os advogados de Vorcaro negam que as operações tenham causado prejuízo ao BRB. Segundo a defesa, a troca de carteiras de crédito gerou resultados positivos para o banco público, e nenhuma perícia oficial apurou prejuízo. Os advogados também afirmam que a PF repete a mesma narrativa há um ano.

O pedido ao STF ainda não tem decisão divulgada até a publicação desta matéria.

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