Eleições em Israel e nos EUA podem afetar a guerra contra o Irã
Israel vota em 27 de outubro e os americanos em 3 de novembro; apuração israelense mostra blocos sem maioria
As eleições legislativas de Israel, realizadas na terça-feira (27), e dos Estados Unidos, marcadas para a terça-feira (3), podem ter efeitos globais, segundo reportagens sobre o tema. O foco está na guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro deste ano pelos dois países.
A campanha em Israel já pesa sobre decisões militares. Durante a disputa, o premiê Benjamin Netanyahu sustentou a hipótese de um novo ataque contra o Irã. Apresentou argumentos sobre a ameaça nuclear do país persa, mas não exibiu evidências, e reiterou que o regime islâmico precisa cair. Segundo as reportagens, a intenção é reconstruir sua reputação de líder confiável em matéria de segurança, que ficou desgastada depois dos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. Esses ataques deixaram cerca de 1,2 mil mortos e 251 reféns levados para Gaza.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou apoio à reeleição de Netanyahu e disse que os dois deveriam "concluir em breve o trabalho" no Irã. Há, porém, relatos contraditórios de que Trump teria pedido a Netanyahu que não atacasse antes da votação. O receio, segundo essas versões, seria uma alta nos preços de energia que lembrasse os eleitores americanos de uma guerra impopular.
A imprensa israelense especula que Netanyahu poderia atacar o Irã já como primeiro-ministro interino, após a eleição, e defender um governo de unidade nacional do qual faria parte. Ele responde a processos por acusações de corrupção, que voltariam a tramitar caso deixe o poder. Além disso, enfrentaria uma investigação oficial sobre sua atuação antes dos ataques de 7 de outubro. Até a publicação, as reportagens não trazem resposta de Netanyahu a essas especulações.
O ex-chefe militar Gadi Eisenkot, principal adversário de Netanyahu, descartou participar de qualquer governo de unidade nacional. Ele considera o Irã uma ameaça existencial e apoia ações militares contra o regime, mas alertou contra uma escalada motivada por interesses políticos.
Com a maior parte dos votos apurados, o bloco de Netanyahu aparece levemente à frente do bloco de oposição liderado por Eisenkot. Nenhum dos dois deve alcançar as 61 cadeiras necessárias para uma maioria no Parlamento. Por isso, semanas ou meses de negociações podem ocorrer antes da formação de um governo.
Nos Estados Unidos, a eleição de meio de mandato define parte do Congresso. Analistas ouvidos pelas reportagens divergem sobre o impacto. Alguns avaliam que, depois da votação, Trump teria menos pressão eleitoral e poderia lançar uma última ofensiva. Outros veem como ilusão a aposta de que ataques enfraqueçam o regime iraniano, estratégia que, segundo eles, já fracassou antes. Um diplomata ocidental citado pela BBC afirmou que Trump vai querer demonstrar capacidade de agir em outras áreas além da política interna.
As duas votações também se conectam de forma direta. A entidade Republicans Overseas Israel calcula que aproximadamente 500 mil israelenses portadores de passaporte dos Estados Unidos possam participar nos dois países. Seu presidente, Marc Zell, projeta que 10 mil cédulas remetidas de Israel possam ser contabilizadas na eleição para o Senado em Michigan, uma das mais disputadas. "Eles de fato podem ser decisivos", afirmou Zell à BBC.
As reportagens apontam, ainda, que a eleição israelense pode trazer um primeiro-ministro com menos interesses pessoais em novos ataques, já que há amplo consenso entre os partidos sobre a ameaça iraniana. Segundo as fontes, a mudança de postura americana dependeria desse resultado, mas nenhuma delas detalha essa possibilidade.
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