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Mundo21h53

Morre aos 92 anos juiz federal que presidia processo de Maduro em Nova York

Alvin Hellerstein atuou por quase três décadas no tribunal de Manhattan e conduziu processos ligados aos atentados de 11 de Setembro

Por Redação Dado Bruto · Fontes
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O juiz federal Alvin K. Hellerstein morreu nesta quarta-feira (28), aos 92 anos, em Manhattan, Nova York. Segundo a Justiça americana, ele morreu pela manhã, cercado pela família. Hellerstein presidia o processo contra o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores.

A morte afeta um caso de grande repercussão. Maduro e Flores são acusados de narcotráfico e de conspiração para narcoterrorismo, e a denúncia inclui também acusações de tortura. Segundo a Justiça americana, o casal foi preso em janeiro, durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas. Na audiência inicial, realizada duas semanas antes da morte do juiz, Maduro se recusou duas vezes a declarar como se considerava diante das acusações. Hellerstein determinou então que fosse registrada uma declaração de inocência em nome do réu.

O juiz atuou por quase três décadas no Distrito Sul de Nova York, onde foi nomeado em 1998 pelo presidente Bill Clinton. Antes disso, trabalhou como advogado privado e serviu no Exército dos Estados Unidos entre 1957 e 1960.

Após os atentados de 11 de Setembro de 2001, Hellerstein conduziu dezenas de processos civis por mortes, ferimentos e danos materiais. Os casos se estenderam por cerca de duas décadas. Advogados que acompanharam as ações afirmam que ele recebia familiares das vítimas por horas em seu gabinete. Em 2010, rejeitou um acordo de pelo menos US$ 575 milhões destinado a milhares de pessoas que adoeceram após trabalhar nos escombros das torres. Ao explicar a decisão, disse: “Este caso é diferente. Este é o 11 de Setembro.”

Em outro processo de destaque, Hellerstein presidiu em 2025 um julgamento civil no qual um júri concluiu que o banco francês BNP Paribas contribuiu para sustentar o regime do ex-governante sudanês Omar al-Bashir. Os jurados determinaram o pagamento de indenizações a três autores sudaneses. As fontes divergem no valor: uma informa US$ 20,75 milhões, equivalentes a R$ 110,8 milhões, e outra fala em quase US$ 21 milhões.

Hellerstein também rejeitou, pela terceira vez, um pedido do presidente Donald Trump para transferir à Justiça federal o processo criminal sobre falsificação de registros comerciais em Nova York e anulá-lo sob alegação de imunidade presidencial. A decisão foi tomada em agosto deste ano.

Outros casos recentes sob sua responsabilidade incluem os julgamentos criminais de Charlie Javice, condenada em 2025 por fraude contra o JPMorgan Chase, e de Bill Hwang, condenado em 2024 por fraude e manipulação do mercado financeiro.

Em comunicado, a juíza-chefe do tribunal, Laura Taylor Swain, descreveu Hellerstein como um jurista distinto, dedicado ao tribunal até o fim. O funeral está marcado para quinta-feira (29), na capela Riverside Memorial, em Manhattan. O advogado de Maduro, Barry Pollack, afirmou que o grupo lamenta a morte e apresenta condolências à família.

Ainda não há informação oficial sobre quem assumirá o caso de Maduro. Pelo que informaram as fontes, os processos do juiz serão redistribuídos a outros magistrados de Manhattan.

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