Ações da GSK caem após queda nas vendas de vacinas e custos de reestruturação
Lucro antes de impostos recuou 19% no terceiro trimestre, e a farmacêutica britânica prevê mais gastos com reestruturação
As ações da GSK, farmacêutica britânica, fecharam em queda nesta quarta-feira (28), mesmo após a empresa divulgar resultados melhores do que o esperado. Segundo o The Guardian, investidores reagiram à queda nas vendas de vacinas, às despesas de reestruturação e às perspectivas gerais da companhia.
Durante o pregão, os papéis chegaram a cair 7%. Depois, a queda diminuiu para 5,5%, mas a GSK continuou sendo a maior baixa do índice FTSE 100, que reúne as maiores empresas da Bolsa de Londres.
No terceiro trimestre, de julho a setembro, o lucro antes de impostos caiu 19%, para £1,9 bilhão. A empresa também registrou £318 milhões em custos de reestruturação e informou que haverá mais gastos desse tipo.
A receita subiu 5%, em câmbio constante, para £8,9 bilhões, com boas vendas de medicamentos contra HIV, câncer e lúpus. Já as vendas de vacinas recuaram 2%, para £2,6 bilhões. A vacina contra herpes-zóster Shingrix caiu 5%, e a Arexvy, contra VSR, teve queda de 24%. As vacinas contra meningite cresceram 12%.
Os investidores também acompanham a perda da proteção de patente do dolutegravir, principal medicamento da empresa contra HIV, prevista para o fim da década. Com isso, outros laboratórios poderão produzir versões genéricas, mais baratas.
O presidente-executivo Luke Miels, que assumiu o cargo em janeiro no lugar de Emma Walmsley, disse que a empresa está um pouco à frente do plano de redução de custos de três anos, que pretende economizar £1,9 bilhão por ano. A GSK também prevê gastar £2,4 bilhões com a reestruturação, a maior parte em 2026 e 2027.
Na Bélgica, a companhia reorganiza a área de vacinas, e a expectativa é de cerca de 1.200 demissões com a ampliação de ferramentas digitais e automação. O país seguirá responsável pela maior parte da produção de vacinas. No fim do ano passado, a GSK tinha quase 67 mil funcionários no mundo, segundo seu relatório anual.
Miels afirmou que o impacto no Reino Unido é "relativamente limitado", com cortes de funções de apoio na sede, em Londres. A empresa manteve suas projeções anuais. Ela também espera iniciar 22 estudos em estágio avançado de novos medicamentos até o fim do ano, sendo 18 já em andamento.
Sobre a Shingrix, Miels disse que a vacina tem "potencial para crescer no próximo ano". Dois grandes estudos avaliam se o imunizante reduz o risco de demência e de eventos cardiovasculares graves, como infartos e AVCs. Os primeiros dados devem sair em 2027 e 2029, respectivamente. Segundo o executivo, os estudos podem ser "transformadores" para a vacina. A resposta sobre a relação de causa e efeito, segundo ele, ainda está em demonstração.
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