Ministro admite que polícia perdeu controle em protestos na França
Macron recusou a renúncia de Laurent Nuñez e pediu revisão completa da segurança após um fim de semana de distúrbios e saques
O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, admitiu que a polícia "perdeu o controle" em algumas cidades durante os protestos violentos do fim de semana. Segundo o The Guardian, o presidente Emmanuel Macron exigiu uma revisão completa da segurança e "novos métodos operacionais" para conter os distúrbios e os saques.
Nuñez afirmou na segunda-feira (19) que houve "falta de antecipação" no planejamento dos protestos de sábado. Ele reconheceu que o número de policiais foi, em alguns momentos, insuficiente para lidar com vândalos e saqueadores nas margens das manifestações. Segundo o ministro, os serviços de inteligência previam 200 mil manifestantes em todo o país, mas o número superou 500 mil.
O ministro disse ter apresentado a renúncia a Macron por se sentir "responsável por tudo o que aconteceu". O presidente recusou o pedido e determinou que Nuñez "tome todas as medidas necessárias" para garantir transparência sobre falhas de planejamento e de inteligência.
Segundo as autoridades, prédios públicos, incluindo uma prefeitura, foram atacados e incendiados, e cerca de 2 mil lojas foram saqueadas. Quase 2.400 pessoas foram presas, 70% delas adultas, e quase mil policiais e gendarmes ficaram feridos. Nuñez disse que 60 mil policiais e agentes de outras forças foram mobilizados, mas o efetivo não bastou para conter grupos organizados em Paris, Marselha e Lyon.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou que falhas de inteligência deixaram o Estado vulnerável. Ele disse que muitos dos presos já tinham antecedentes criminais e que cerca de 80% deles serão processados.
Em comunicado, a Presidência informou que, além da revisão das falhas de segurança, Nuñez deve implementar com rapidez novos métodos operacionais para as forças de segurança combaterem os distúrbios.
Os protestos começaram com estudantes do ensino médio e se somaram a professores, pais, sindicatos e trabalhadores. Eles reclamam do custo de vida elevado. Manifestações com o mesmo tema também ocorreram na Itália, na Bélgica e na Albânia.
Na segunda-feira, manifestantes bloquearam as entradas do Museu do Louvre em apoio ao movimento estudantil e contra a "repressão policial". O museu não conseguiu abrir no horário previsto.
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