Protestos contra custo de vida deixam confrontos e prisões na França
Autoridades contabilizam 140 manifestações fora de Paris e afirmam que mais de 900 policiais ficaram feridos.
Protestos contra o alto custo de vida e por melhores condições nas escolas reuniram milhares de pessoas em Paris e em outras cidades da França neste sábado (17). Houve confrontos com a polícia, uso de gás lacrimogêneo, incêndios e atos de vandalismo.
Em Marselha, manifestantes invadiram a sede da prefeitura, segundo o prefeito, que afirmou que o prédio foi vandalizado. Após conversas com o primeiro-ministro e o ministro do Interior, o governo enviou reforços policiais à cidade.
Em Paris, uma marcha pacífica na região da Praça da República terminou em confrontos. Grupos mascarados atiraram fogos de artifício e pedras, e a polícia respondeu com gás lacrimogêneo.
Até o meio-dia, as autoridades contabilizaram 140 manifestações fora de Paris, com 32,8 mil participantes. O governo atribuiu os episódios de violência a grupos de ultraesquerda.
Os protestos começaram no mês passado, em escolas de bairros pobres da periferia norte de Paris, onde estudantes cobravam mais professores e melhorias nas instalações. Com o tempo, a mobilização passou a incluir críticas à desigualdade e aos gastos públicos. Convocações nas redes sociais pediram a volta do movimento dos coletes amarelos, surgido em 2018.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, disse que há um número crescente de episódios de violência, com agressões a policiais, tentativas de saque e danos a prédios públicos. O Ministério do Interior não informou dados finais sobre prisões.
A polícia francesa investiga pelo menos 24 denúncias de violência cometida por agentes. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, afirmou que mais de 900 policiais ficaram feridos. Um adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos após ser atingido por uma granada de efeito moral. Nuñez havia suspendido o uso desse tipo de granada, mas afirmou que ela poderia voltar a ser usada neste sábado.
O presidente Emmanuel Macron pediu calma e respeito a pessoas e patrimônio na sexta-feira (16).
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