Protestos por moradia e custo de vida se espalham para Milão e Lisboa
Na Itália, marcha em Milão terminou com cerca de 50 detidos; em Lisboa, manifestantes montaram acampamento na praça do Rossio
Protestos contra o aumento do custo de vida se espalharam neste fim de semana para Milão e Lisboa, após semanas de manifestações na Espanha e na França.
Segundo o The Guardian, a marcha de sábado em Milão começou pacífica, mas terminou com manifestantes mascarados atirando pedras e outros objetos contra a tropa de choque e incendiando barricadas feitas de mesas de bar. A polícia usou canhões de água e gás lacrimogêneo. Ao menos dois policiais ficaram feridos e cerca de 50 pessoas foram detidas, entre elas muitos menores de idade, segundo a agência LaPresse.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que protestar é um direito, mas incendiar cidades não. Em uma publicação em rede social, disse que vândalos aproveitaram as manifestações para semear o caos. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, de centro-esquerda, afirmou que os motivos dos protestos são compreensíveis, mas a violência contra policiais e os danos à cidade não são justificáveis.
Em Lisboa, manifestantes montaram um acampamento de barracas na praça do Rossio, no centro turístico da capital, para cobrar medidas contra a crise habitacional. Centenas de pessoas passaram a noite no local. O movimento ganhou força a partir de um protesto no Porto, onde dezenas de barracas já haviam sido armadas.
Dados oficiais citados pela reportagem mostram que os preços dos imóveis em Portugal subiram 124% entre 2015 e 2024, cerca de duas vezes mais rápido que a média da União Europeia. O primeiro-ministro Luís Montenegro afirmou que o governo entende a indignação da população, mas criticou rivais que, segundo ele, importam climas de instabilidade sem apoio na sociedade portuguesa.
Na Albânia, protestos violentos contra as condições nas universidades e as altas mensalidades passaram a exigir a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama. No sábado, manifestantes atiraram pedras, coquetéis molotov e artefatos pirotécnicos contra a polícia, que usou balas de borracha pela primeira vez desde o início dos protestos.
Na Espanha, a aposentada María del Carmen Abascal, de 87 anos, foi despejada de casa por não conseguir pagar um aumento de 230% no aluguel. O caso levou a protestos e à criação de um acampamento em Madri. Depois que o Congresso rejeitou medidas emergenciais de moradia propostas pelo governo, o primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou eleições gerais antecipadas para o fim de novembro.
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