Economistas criticam pressão por cortes e propõem taxar altas rendas
Manifesto de 50 especialistas também defende mudar a meta de inflação e substituir o arcabouço fiscal.
Um manifesto assinado por 50 economistas e especialistas criticou, nesta sexta-feira (30), a pressão do mercado financeiro por cortes de gastos no governo eleito. Os autores propõem taxar altas rendas no lugar de reduzir despesas sociais.
O documento afirma que a avenida Faria Lima, em São Paulo, sede de bancos de investimento e corretoras, quer impor um “terceiro turno” para levar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a adotar o corte de despesas defendido pelo candidato derrotado Flávio Bolsonaro, que prometia cortar R$ 190 bilhões. As fontes não registram resposta do mercado financeiro.
Para os especialistas, o problema da dívida está nos juros, e não nos gastos da União. A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto, ante 71,7% em 2022. Segundo o Banco Central, os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão em 12 meses, o equivalente a 8,9% do PIB. A autoridade monetária atribui as taxas altas à inflação e aos déficits primários.
Entre as propostas, está a antecipação, a partir de janeiro do próximo ano, da tributação mínima de 10% sobre rendas anuais acima de R$ 600 mil, prevista na Lei 15.270, de 2025. Os autores também pedem a revisão de isenções que somam R$ 612,8 bilhões em gastos tributários. Defendem ainda que o Banco Central não eleve a Selic, hoje em 13,75% ao ano, e que o centro da meta de inflação, atualmente em 3%, volte a 4,5%. Por fim, sugerem nova regra fiscal que exclua do limite investimentos, Bolsa Família e pisos de saúde e educação.
O manifesto critica medidas de ajuste defendidas por integrantes do governo, como o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo o texto, “o programa derrotado volta pela porta da Fazenda”.
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