BC diz não ver risco relevante à estabilidade financeira, mas inadimplência sobe
Ativos problemáticos das famílias chegam ao maior nível desde 2012, e o peso das dívidas na renda atinge recorde em 21 anos
Na terça-feira (27), o Banco Central declarou que não identifica risco significativo à estabilidade financeira brasileira. Essa avaliação aparece no Relatório de Estabilidade Financeira referente ao primeiro semestre de 2026, mesmo com a deterioração dos indicadores de crédito das famílias.
O principal desdobramento está nos ativos problemáticos das famílias, que reúnem operações em atraso ou com sinais de dificuldade de pagamento. Esse indicador subiu e chegou ao nível mais alto desde 2012 na maior parte das modalidades de crédito. Segundo o BC, a inadimplência foi o fator que mais pesou nessa alta.
O órgão monetário também comunicou que a fatia da renda familiar comprometida com dívidas chegou ao nível mais alto em 21 anos. Segundo as projeções da instituição, a pressão sobre a capacidade dos consumidores de honrar seus compromissos tende a persistir ao longo do segundo semestre.
Mesmo com esse quadro, o BC avalia que o Sistema Financeiro Nacional segue resiliente. Segundo o relatório, as provisões constituídas pelas instituições são compatíveis com as perdas esperadas. Os testes de estresse de capital e de liquidez, de acordo com a autarquia, indicam que os bancos conseguiriam enfrentar cenários econômicos adversos.
O documento também registra desaceleração do crédito para famílias e empresas. O BC relaciona esse movimento aos juros elevados e à atividade econômica mais moderada. Além disso, as instituições financeiras vêm adotando mais cautela na concessão de empréstimos.
Um levantamento do próprio BC junto a instituições financeiras indica que 73% delas se mostram muito ou totalmente confiantes na resistência do sistema. As preocupações mais citadas foram o risco fiscal e a chance de a inadimplência crescer num cenário de juros elevados por um longo período.
Diante do crescimento do endividamento de famílias e empresas, o banco afirma que a oferta de crédito exige cautela adicional. A instituição informou que estuda medidas para os segmentos de maior risco, com o objetivo de reduzir situações de superendividamento e dar mais sustentabilidade ao crédito no país.
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