Endividados de risco somam 20,3 milhões, alta de 75% desde 2021, aponta BC
Relatório de Estabilidade Financeira mostra comprometimento de renda no nível mais alto em 21 anos.
O número de pessoas classificadas como endividadas de risco chegou a 20,3 milhões em junho de 2026, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central, divulgado nesta terça-feira (27). O grupo cresceu 75% em relação a junho de 2021 e representa 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional.
Pela classificação do BC, o devedor precisa atender a dois critérios ao mesmo tempo. As duas fontes citam comprometimento da renda acima de 50% com dívidas, renda que fica abaixo da linha de pobreza após o pagamento das dívidas, inadimplência e multimodalidade, isto é, financiamentos em diferentes modalidades. Uma das fontes detalha o critério de inadimplência como parcelas em atraso há mais de 90 dias e os critérios de multimodalidade como cheque especial, crédito pessoal sem consignação e crédito rotativo.
O relatório afirma que o comprometimento da renda atingiu o nível mais elevado dos últimos 21 anos, com impacto maior sobre tomadores de menor renda. Segundo o documento, a digitalização dos serviços financeiros ampliou a exposição desses consumidores a ofertas de crédito. O texto diz que "as famílias utilizaram o aumento da renda disponível para ampliar seu endividamento", com maior demanda por cartão de crédito e crédito não consignado.
Na semana anterior, em 23 de outubro, o Banco Central editou três resoluções sobre oferta e contratação de crédito. As normas tratam de ofertas inadequadas ou abusivas e de maior transparência antes da contratação.
No caso das empresas, o relatório diz que não há sinais relevantes de deterioração na maioria delas. Porém, cresceu o número de companhias com lucro líquido menor e despesa financeira líquida maior, o que reduz a margem para honrar dívidas.
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