STJ exonera servidor e abre apuração sobre vazamento de informações a advogado
Relatório da Polícia Federal aponta que Willer Tomaz recebia minutas antes da publicação; ele nega irregularidade.
O Superior Tribunal de Justiça exonerou nesta sexta-feira (16) um servidor da área de tecnologia suspeito de repassar informações internas ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A corte também instaurou apuração interna sobre o caso.
Segundo o STJ, um procedimento interno já havia sido aberto na semana anterior, quando o presidente da corte, ministro Luis Felipe Salomão, tomou conhecimento dos fatos. Como o servidor ocupava cargo de confiança e não era concursado, pôde ser exonerado. O tribunal afirmou que as medidas criminais estão em andamento, são sigilosas e não serão comentadas por ele. O caso foi revelado pelo UOL e confirmado pela TV Globo.
O servidor exercia a função de secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do STJ. Antes, havia sido assessor-chefe da Assessoria de Inteligência Artificial da corte.
De acordo com um relatório da Polícia Federal encaminhado à Procuradoria-Geral da República, o advogado recebia minutas de decisões do STJ e de manifestações do Ministério Público Federal antes da publicação. Segundo a reportagem do UOL citada pela Folha, os investigadores suspeitam que parte desses documentos chegou por meio do procurador aposentado Antônio Carlos Simões Martins Soares, que também mantinha contato com Tomaz. Ele se aposentou voluntariamente em março de 2026. A Folha não conseguiu localizá-lo.
O relatório cita trocas de mensagens em que um servidor do tribunal informou o advogado sobre demandas internas e enviou a foto de um documento exibido na tela de um computador. Em outra conversa, o servidor indicou o número de um recurso especial e comentou possíveis efeitos de uma tutela. Para os investigadores, a conversa mostra o compartilhamento de informações sobre o processo.
A PF também comparou pareceres de Soares com sugestões enviadas por Tomaz. Em alguns casos, os trechos são idênticos. Em outros, a redação é semelhante. Segundo a PF, em mais de uma ocasião a posição do subprocurador seguiu as recomendações do advogado.
Tomaz é investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que apura fraudes contra a Previdência no escândalo do INSS. Em nota, ele negou ter tido acesso irregular a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal e negou ter interferido em manifestações. Afirmou que sua atuação observou a legislação e que as suspeitas são infundadas. Tomaz também disse que causa estranheza a divulgação de material sigiloso em período eleitoral e prometeu pedir acesso ao relatório para identificar a origem do vazamento.
A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada pela Folha, mas não se manifestou sobre as suspeitas contra Tomaz.
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