Trump suspende sanções dos EUA contra a Rússia antes de entrarem em vigor
Ordem executiva da Casa Branca invoca interesse nacional; lei previa tarifas de até 100% sobre grandes compradores de petróleo russo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu nesta sexta-feira (16) sanções, restrições e tarifas contra a Rússia. As medidas deveriam entrar em vigor poucos dias depois, conforme uma lei que ele sancionou em setembro. A suspensão foi formalizada em ordem executiva divulgada pela Casa Branca.
Na ordem, Trump afirma que a suspensão atende aos interesses nacionais dos Estados Unidos. Ele diz que enviou ao Congresso uma certificação nesse sentido. Segundo a ordem, a suspensão vigorará até que o presidente ou integrantes do alto escalão do governo considerem adequadas novas medidas.
A lei leva o nome do ex-senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul, morto em julho. Ele era um dos principais defensores do projeto no Congresso. O texto previa tarifas de até 100%, em um prazo de 30 dias, sobre todos os produtos importados pelos EUA dos cinco maiores compradores de petróleo ou gás russo. Entre eles estão China e Índia. A legislação também atingiria países que, 30 dias após a promulgação, comprassem petróleo ou gás russo de forma deliberada, ou que estivessem entre os cinco que mais ajudam Moscou a contornar sanções.
A decisão ocorre semanas antes das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, em novembro. Nesse período, o preço dos combustíveis subiu no país. Trump havia anunciado um acordo com a Rússia para a compra de diesel russo, com o objetivo de reduzir os preços. O acordo foi criticado por parlamentares de ambos os partidos, que afirmaram que ele ajudaria a financiar a guerra. Um grupo de 20 legisladores bipartidários havia enviado carta a Trump, na quinta-feira (15), pedindo a aplicação integral da lei.
Trump também tem criticado publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e chegou a sugerir que a Ucrânia precisa de um novo líder. O presidente americano acusa os ataques ucranianos a refinarias russas de elevar o preço dos combustíveis nos EUA. Zelensky, por sua vez, afirma que a Rússia não respeitou um cessar-fogo anunciado por Trump para instalações energéticas. Segundo a BBC, Zelensky classificou o acordo do diesel como um presente a Putin.
O deputado democrata Don Beyer, da Virgínia, criticou a suspensão e afirmou que Trump cedeu ao líder russo Vladimir Putin. Em comunicado, Beyer disse que a decisão trai os parceiros ucranianos e contraria a intenção do Congresso. Ao comentar o assunto, Trump afirmou: "Tudo o que ele está fazendo é aumentar o preço mundial do petróleo". Ele disse achar "uma vergonha" a conduta da Rússia.
Pequim afirmou que se opõe sistematicamente à aplicação extraterritorial de leis sem fundamento no direito internacional. A Índia, que também está entre os maiores compradores de petróleo russo, alertou Washington de que novas tarifas poderiam afetar as relações bilaterais. A Índia havia manifestado preocupação com o projeto de sanções antes da suspensão.
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