Intelectuais e ex-integrantes de governos divulgam manifesto de apoio a Lula
Documento critica o projeto do senador Flávio Bolsonaro e foi entregue em encontro na capital paulista
Neste sábado (17), um conjunto de intelectuais, acadêmicos e ex-integrantes de governos lançou um manifesto em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento foi apresentado em um encontro realizado na capital paulista, na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo.
O documento faz críticas ao projeto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula no segundo turno. Segundo o texto, a candidatura de Flávio representa riscos de retrocessos sociais e institucionais e ameaça conquistas consolidadas e a atuação diplomática do país. A eleição de segundo turno está marcada para 25 de outubro.
Intitulado “Pela democracia, pela estabilidade, pelo desenvolvimento com justiça social e ambiental e pelo Brasil”, o manifesto sustenta que, na visão dos signatários, a permanência de Lula no cargo teria mais capacidade de assegurar o equilíbrio das instituições e de proteger os direitos e as liberdades democráticas.
Constam entre os signatários o ex-chanceler Rubens Ricupero, o jurista Miguel Reale Jr., o economista Eduardo Giannetti e o climatologista Carlos Nobre. Também aparecem nomes que já ocuparam as pastas do Meio Ambiente, da Justiça e da Administração, bem como escritores e advogados. Há divergência sobre a quantidade de apoiadores: uma fonte menciona 16 pessoas no texto inicial, enquanto a relação divulgada traz 15 nomes.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) participou da agenda, ao lado dos ex-ministros Fernando Haddad (PT), da Fazenda, Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente, e Simone Tebet (PSB), do Planejamento.
Na parte sobre política externa, o texto afirma que o projeto de Flávio pode prejudicar a interlocução multilateral do Brasil e os canais de diálogo com diferentes setores da sociedade. Os signatários também dizem enxergar ameaças aos princípios democráticos e riscos a conquistas sociais e trabalhistas.
Apesar do apoio à candidatura petista, os autores afirmam que o manifesto não representa adesão irrestrita ao governo. “Muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo, e preservaremos nossa independência para expressá-las”, diz o texto. Em outro trecho, o documento afirma que a manifestação apoia o país antes de apoiar um nome.
No que diz respeito às metas, o documento aponta o crescimento da economia, a criação de postos de trabalho, a retomada da capacidade produtiva da indústria e o incentivo à inovação. Além disso, advoga a expansão de uma agricultura com baixa emissão de carbono e a ampliação de recursos para educação, ciência e tecnologia. No campo ambiental, faz referência à proteção de florestas, mananciais e da biodiversidade, bem como ao aproveitamento consciente de minerais considerados estratégicos.
No plano institucional, a carta enfatiza a importância de acolher a pluralidade e de garantir os direitos essenciais. De acordo com o texto, rivais políticos, órgãos estatais, centros universitários, a mídia e entidades da sociedade civil não deveriam ser encarados como inimigos.
As fontes consultadas não informam resposta de Flávio Bolsonaro ou de sua equipe ao manifesto até a publicação desta matéria.
Comentários
- Carregando comentários…