Lula diz ser favorável a reduzir maioridade penal para crimes hediondos
Em entrevista à TV Globo, presidente também contesta classificação dos EUA sobre facções e fala em negociar tarifas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, disse nesta quinta-feira (15/10), em entrevista à TV Globo, que é favorável à redução da maioridade penal para crimes hediondos. Foi a primeira manifestação dele sobre o tema durante a campanha.
Segundo o petista, todo crime hediondo deve ter a pena diminuída. Na mesma quinta-feira, o Senado retirou da pauta a PEC da segurança pública, de autoria da Presidência. Durante a tramitação, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), apresentou emenda que fixava 16 anos como idade geral. O senador Camilo Santana (PT-CE) propôs manter 18 anos como regra geral e reduzir para 16 apenas em crimes hediondos. Parte dos aliados do governo se opôs a essa proposta.
Sobre os Estados Unidos, Lula afirmou manter boa relação com Donald Trump e disse acreditar em acordo comercial. Em julho, o governo americano aplicou sobretaxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O Brasil contestou a medida e abriu processo para avaliar contramedidas pela Lei da Reciprocidade Econômica. Lula afirmou que o país não pretende aplicar a lei por ora, mas que pode fazê-lo se necessário.
Em maio, o governo americano classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O governo brasileiro criticou a decisão. Lula disse que as facções são terroristas para a população brasileira, mas que o conceito usado pelos EUA se refere a terrorismo de Estado. Ele afirmou ter enviado a Trump, por escrito, uma proposta de combate ao crime organizado baseada na Polícia Federal.
No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. O segundo turno ocorre em 25 de outubro. Flávio será sabatinado pela Globo na sexta-feira (16/10).
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