Lula diz que PCC e CV são terroristas para brasileiros, mas não nos termos dos EUA
Presidente diz que propôs cooperação contra o crime organizado e defende a PEC da Segurança Pública
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (15), em entrevista à TV Globo, que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) são terroristas para a população brasileira, mas rejeitou o enquadramento dos Estados Unidos. Para ele, as duas facções não praticam o tipo de terrorismo que o governo americano pretende caracterizar.
Segundo Lula, a motivação dos grupos é obter dinheiro por meio de atividades criminosas. Ele associou o conceito de terrorismo adotado pelos EUA a ataques como os de 11 de setembro de 2001 e a tentativas de golpe de Estado. “Não é o caso das facções e do crime organizado no Brasil, que só querem dinheiro”, disse o presidente.
Os Estados Unidos classificaram o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras. O anúncio foi feito em 28 de maio. A medida passou a valer em 5 de junho, data em que o documento oficial foi publicado no Diário Oficial norte-americano. Com a designação, autoridades dos EUA podem aplicar sanções a pessoas e empresas que dão apoio material aos grupos.
O governo brasileiro se opôs à decisão. Segundo as reportagens, a gestão Lula afirmou que a classificação pode afetar a soberania nacional. Ao mesmo tempo, o Brasil enviou a Washington propostas de cooperação no combate ao crime.
Na entrevista, Lula disse que o governo apresentou ao presidente americano, Donald Trump, uma proposta de combate ao crime organizado e ao tráfico. Ela se baseia na experiência da Polícia Federal, segundo o presidente, e foi entregue por escrito.
Lula também defendeu a PEC da Segurança Pública, que amplia o papel da União na área. “Eu agora quero me meter”, afirmou, ao dizer que a Constituição nunca permitiu esse tipo de atuação federal. Ele também citou a Lei Antifacção, que aumenta as penas para integrantes de organizações criminosas.
Em setembro, Trump voltou a cobrar ações mais duras contra as facções. Em declarações sobre o tema, afirmou que o governo Lula falhou no enfrentamento aos grupos, que, segundo ele, transformaram o país em um centro de distribuição de cocaína.
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