Campanha de Lula leva denúncia contra a Meta à OEA e à ANPD
Petistas citam diferenças na geração de imagens por IA e no alcance de publicações; empresa nega favorecer candidatos
A campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quarta-feira (14) que levará à Organização dos Estados Americanos (OEA) e à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) uma denúncia contra a Meta, dona do WhatsApp, Instagram e Facebook, por suspeita de interferência nas eleições presidenciais de 2026.
O anúncio foi feito pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha, em coletiva no comitê petista em Brasília. Segundo ele, a equipe reúne indícios de que as plataformas tratam de forma desigual conteúdos ligados a Lula e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário no segundo turno. Os relatos, por si só, não comprovam uma decisão deliberada da empresa, segundo a própria campanha.
Uma das queixas envolve a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial disponível no WhatsApp. Usuários relataram que o sistema recusava pedidos para criar imagens com o nome ou o número eleitoral de Lula, mas atendia a comandos semelhantes sobre Flávio Bolsonaro. Em testes divulgados pela CNN Brasil, a ferramenta não gerou uma bandeira com a inscrição “Lula 13”, mas produziu uma imagem com a frase “Flávio 22”.
A campanha também afirma ter enfrentado restrições no impulsionamento de anúncios, interrupções na contagem de visualizações e limitações na distribuição de publicações. Segundo a equipe, 255 contas teriam acumulado cerca de 58 milhões de visualizações ao publicar ataques contra Lula e a primeira-dama Janja Lula da Silva. A campanha não apresentou, até a publicação, a verificação independente desses números.
Em paralelo, a coligação “Brasil Pronto pra Mais” acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar o que chama de tratamento desigual. As fontes divergem sobre o alvo da ação mais recente: uma delas indica a Meta, outra cita a plataforma X, ex-Twitter, em ação protocolada na segunda-feira (12) por restrições a publicações favoráveis a Lula.
A campanha diz ter levado o caso a outros países. Segundo Camilo Santana, mais de 12 países, entre eles Estados Unidos, Reino Unido, Chile e Argentina, foram informados em reunião virtual. As fontes divergem sobre a data da reunião com observadores internacionais credenciados ao TSE: uma cita quinta-feira (15), outra fala em amanhã, o que corresponde ao dia 15. Ainda segundo a campanha, um relatório com os indícios estava sendo finalizado.
Os números sobre denúncias enviadas à página do presidente também variam. Camilo Santana citou mais de 2,5 mil denúncias do tipo em três dias em uma fonte e mais de duas mil em outra.
A Meta nega operar seus sistemas para favorecer ou prejudicar candidatos. Em nota divulgada na terça-feira (13), a empresa reconheceu falhas técnicas relacionadas a anúncios e publicações da campanha, mas afirmou que os problemas não afetaram exclusivamente o Brasil nem contas específicas. Também contestou a existência de evidências técnicas de manipulação deliberada. Sobre as imagens, a Meta informou à CNN Brasil que proibiu temporariamente a recomendação de candidatos e a criação de imagens deles, e adotou medidas para impedir que comandos com apenas o primeiro nome ou o número eleitoral gerem esse material. O Olhar Digital procurou a empresa, que informou que não se pronunciaria sobre o caso.
As acusações ainda não foram avaliadas pelas autoridades competentes. A representação à OEA busca levar o caso ao plano internacional. Os questionamentos ao TSE e à ANPD podem resultar em pedidos de esclarecimento sobre a atuação das plataformas na campanha.