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Mundo30 out

Oposição israelense acusa Netanyahu de tentar deslegitimar eleição

Partidos árabes conquistam 19 cadeiras, e nenhum dos dois blocos chega à maioria no Knesset

Por Redação Dado Bruto · Fontes
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O líder da oposição israelense Gadi Eisenkot e dirigentes de partidos árabes acusaram o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de tentar deslegitimar a eleição realizada em 27 de outubro. Netanyahu alegou interferência estrangeira depois que sua coalizão perdeu a maioria no Parlamento.

O Likud, partido de Netanyahu, afirmou que os partidos liderados por árabes “roubaram” a eleição. A agência de segurança interna Shin Bet investiga se essas legendas receberam financiamento ilegal do Catar e da Turquia. A apuração começou após o chefe da Comissão Eleitoral Central (CEC) pedir ao órgão que verificasse “sérias suspeitas” de interferência estrangeira.

Os resultados finais não deram maioria a nenhum dos blocos. A Lista Conjunta e o Ra'am somaram 19 cadeiras, número recorde, no Knesset, que tem 120 integrantes. O resultado veio após forte alta na participação de eleitores árabes. O bloco de Netanyahu ficou com 53 cadeiras, e o de Eisenkot, com 48.

O Ministério das Relações Exteriores do Catar negou as acusações e as classificou como “ridículas e perigosas”. A pasta disse que políticos israelenses conduzem uma campanha de desinformação contra Doha.

O Shin Bet afirmou que a investigação não atinge uma comunidade inteira que votou dentro da lei. O diretor-geral interino da CEC, Dean Livne, disse que não há base para alegações de violações sistemáticas da integridade eleitoral.

Netanyahu e o Likud classificaram as alegações como um “terremoto político” e um “ataque à democracia”. Segundo o Likud, a medida visaria derrubar o governo de direita.

Eisenkot afirmou que ainda é cedo para saber se algo aconteceu. Ele acusou Netanyahu de conduzir uma campanha organizada para deslegitimar os resultados. Sami Abu Shehadeh, presidente do Balad, integrante da Lista Conjunta, rejeitou a acusação. Ele chamou a alegação de calúnia de teor racista e disse que o lado derrotado pressiona agências de segurança a anular o pleito.

No dia da votação, Netanyahu afirmou nas redes sociais que o grande comparecimento de eleitores árabes representava uma "emergência" para a direita. Além disso, divulgou imagens criadas com inteligência artificial que mostravam eleitores árabes em seções eleitorais, com a intenção de incentivar o voto de quem é de direita.

Os árabes israelenses, parte dos quais se identifica como cidadãos palestinos de Israel, somam cerca de um quinto da população. Por anos, muitos deles boicotaram as eleições, com o argumento de que votar legitimaria um sistema que os trata como cidadãos de segunda classe. Desta vez, a participação foi motivada pela intenção de tirar do poder a coalizão governista mais à direita da história do país, liderada por Netanyahu.

Há três caminhos possíveis para a montagem do governo: uma gestão de união nacional reunindo Netanyahu e Eisenkot; uma aliança de direita formada por Netanyahu e parlamentares dissidentes do bloco de Eisenkot; ou uma administração chefiada por Eisenkot e sustentada pelas legendas árabes. Antes, Eisenkot e praticamente todos os membros de seu grupo tinham rejeitado qualquer parceria com partidos árabes. Nos últimos dias, aumentaram as conjecturas sobre um entendimento nesse sentido.

Uma pesquisa relâmpago da Universidade Hebraica indicou que a opção mais citada entre eleitores de todos os partidos da oposição é um governo minoritário de Eisenkot com o Ra'am, apoiado de fora pela Lista Conjunta.

Nenhum bloco chega à maioria de 61 cadeiras; árabes somam 19
Bloco de Netanyahu
53
Bloco de Eisenkot
48
Lista Conjunta e Ra'am
19
Fonte: dados citados nas reportagens listadas abaixo. Gráfico do Dado Bruto.
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