Nova York fecha acordo para proibir carruagens puxadas por cavalos no Central Park
Texto prevê fim dos passeios em junho de 2028; sindicato critica a falta de apoio econômico aos condutores
Zohran Mamdani, prefeito de Nova York, e Julie Menin, presidente da Câmara Municipal, fecharam acordo sobre um projeto de lei que proíbe as carruagens puxadas por cavalos no Central Park. A proibição começa em 1º de junho de 2028.
O texto ainda precisa ser votado pelo plenário da Câmara. Menin afirmou que a proposta deve obter maioria suficiente para derrubar um eventual veto. Um porta-voz de Mamdani não disse se o prefeito vai sancionar a lei, mas afirmou que o acordo já foi fechado. O vereador Chris Marte, autor principal do projeto, informou que a proposta tem 29 coautores, entre os 51 membros da Câmara.
A pressão por essa medida cresceu após a morte do turista indiano Romanch Mahajan, de 18 anos, que passeava de carruagem com a família no verão passado. A Folha e o InfoMoney dizem que ele morreu após uma queda da carruagem. A CNN descreve o caso como um arremesso de uma carruagem descontrolada.
Segundo o sindicato do setor e a Central Park Conservancy, organização que administra o parque, Mahajan seria a primeira pessoa morta em acidente com carruagem desde que os passeios começaram, há mais de 150 anos.
Menin disse, em comunicado, que “o status quo não é mais aceitável”. Em entrevista à Folha, ela afirmou que a morte foi o ponto em que ficou claro que era preciso agir.
Pelo texto, os proprietários devem informar a prefeitura antes de se desfazer dos cavalos. Os animais não podem ser vendidos para abate nem para outras empresas de carruagem. A prefeitura deve apresentar, até 1º de abril de 2027, um plano de transição para os trabalhadores. A proposta prevê que a cidade considere compensações financeiras aos proprietários, mas não garante pagamentos obrigatórios.
Os números do setor variam conforme a fonte. A porta-voz do setor, Christina Hansen, falou em 68 carruagens, cerca de 150 condutores e mais de 180 cavalos. O sindicato, por sua vez, citou cerca de 160 cavalos registrados, além de 68 licenças e cerca de 150 condutores ativos e licenciados.
O sindicato TWU Local 100, que representa os condutores, afirma que o texto não protege os trabalhadores. O presidente internacional do sindicato, John Samuelsen, acusou Menin de “oportunismo político vergonhoso”. Ele também disse que a presidente da Câmara usou a morte do turista para “fabricar uma crise de segurança pública”. Menin não respondeu especificamente a essas acusações nas reportagens analisadas, mas disse que a medida era necessária.
A New Yorkers for Clean, Livable and Safe Streets, organização que defende o fim dos passeios há anos, aplaudiu o acordo e chamou as carruagens de cruéis e perigosas. Os operadores do setor contestam as críticas e afirmam que os cavalos são bem cuidados e que os estábulos cumprem as normas municipais.