Houthis atacam sede da Aramco na Arábia Saudita e prometem novos ataques
Ataque a aeroporto de Riad, no sábado (10), deixou mortos e mais de 300 feridos
Ataques atribuídos aos houthis do Iêmen atingiram a sede da Saudi Aramco, em Dhahran, no leste da Arábia Saudita, na terça-feira (13). O Ministério da Energia saudita afirma que houve um incêndio de pequena magnitude, sem mortos nem feridos.
Em comunicado divulgado na quarta-feira (14), o grupo reivindicou a autoria e disse que vai continuar atingindo aeroportos e instalações de energia do país. Os houthis listaram a sede em Dhahran, o aeroporto internacional de Riad e uma refinaria da estatal na capital, e disseram ter usado mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones. O grupo classificou esses locais como alvos legítimos e pediu que trabalhadores, civis e empresas de navegação se afastem deles.
As versões sobre os danos divergem. Segundo o Ministério da Energia, o impacto ficou restrito a um foco de fogo e não afetou as operações. O Financial Times, citado pelo Exame, relata danos extensos em vários andares do prédio administrativo. Já a Reuters, também citada pelo Exame, ouviu fontes segundo as quais a companhia seguiu operando normalmente, com funcionários trabalhando de casa.
A ofensiva na sede da Aramco se soma a uma série de ataques ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad. No sábado (10), um deles deixou mortos e mais de 300 feridos. O número de mortos varia conforme a fonte: a CNN informa 12, enquanto o Exame e a Folha falam em 13. Segundo o Exame, o aeroporto foi atacado quatro vezes durante a escalada recente. A Folha afirma que os houthis disparam há uma semana mísseis e drones contra alvos estratégicos sauditas, em retaliação ao apoio do reino às forças governamentais na guerra civil no Iêmen.
As forças da coalizão liderada pela Arábia Saudita afirmaram ter interceptado mísseis balísticos dirigidos a Riad e a outras localidades. Segundo a CNN, citada pelo Exame, também foram derrubados três mísseis de cruzeiro e dois drones que miravam a capital e o sul do país. Autoridades sauditas informaram que pelo menos quatro pessoas ficaram feridas por destroços das interceptações.
A troca de ataques também alcançou o Iêmen. Segundo o Exame, a coalizão anunciou uma operação contra um depósito de combustível da Yemen Petroleum Company, nos arredores de Sanaa, capital controlada pelos houthis, e disse que o local abastecia o arsenal usado contra aeroportos e embarcações. A Folha informa que a TV Al-Masirah, controlada pelos houthis, atribuiu o ataque à coalizão, e que o governo saudita não confirmou a autoria. Os houthis negam que o depósito armazenasse produtos de petróleo e afirmam que dois civis morreram e outros dois ficaram feridos. As reportagens não conseguiram verificar essas informações de forma independente. O governo saudita declarou que o grupo enfrentará consequências pelos ataques a aeroportos e cidades do reino.
O petróleo reagiu aos ataques. Segundo a Folha, o Brent chegou a US$ 107,15 por barril na noite de terça-feira (13), com alta de 1,38%, e foi cotado a US$ 106,26 por volta das 9h de quarta-feira. O Exame informa que o Brent subiu 0,5%, para US$ 106,22 por barril. A alta, portanto, aparece entre 0,5% e 1,38%, conforme a fonte e o horário considerado.
Em outra frente, o Estreito de Ormuz também foi alvo de ataques. Segundo o Exame, pelo menos quatro embarcações foram atingidas na terça-feira, e o Financial Times relacionou a alta do petróleo às tensões nessa região. A Folha informa que o Irã voltou a disparar contra navios que tentavam cruzar a passagem. O Exame diz que os ataques em Ormuz fazem parte da escalada envolvendo o Irã, com Estados Unidos e Israel, e não devem ser confundidos com as ofensivas dos houthis contra a Arábia Saudita.