Fed deve manter juros inalterados em última decisão antes das eleições de meio de mandato
Decisão de quarta-feira ocorre com inflação acima de 3% e petróleo em alta por causa da guerra com o Irã
O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, deve manter as taxas de juros inalteradas na quarta-feira, em sua última reunião antes das eleições de meio de mandato, segundo o The Guardian. Se confirmada, a decisão deixará os juros em um dos patamares mais altos registrados antes de uma eleição nos últimos 20 anos.
Em setembro, o Fed elevou os juros pela primeira vez desde 2023, sob alegação de inflação em alta. Segundo a matéria, a inflação está acima da meta de 2% há anos e, na maior parte deste ano, ficou acima de 3% ao ano. Em setembro, subiu de 3,4% para 3,7%.
O presidente Donald Trump criticou a decisão e afirmou que os juros nos Estados Unidos deveriam ser de 1% ou menos. Uma pausa, segundo a reportagem, sinalizaria que o banco central aguarda antes das eleições da próxima semana.
Vários dirigentes do Fed sugeriram nas últimas semanas que há espaço para uma pausa. Ainda assim, a maioria dos economistas do banco prevê mais uma alta até o fim do ano. O governador Christopher Waller afirmou que as altas não precisam ocorrer em reuniões consecutivas, mas devem acontecer dentro de um prazo aceitável.
O professor de economia Nicholas Economides, da NYU Stern School of Business, disse que a proximidade da eleição torna mais provável que o Fed não tome medidas radicais. Para ele, a economia não teria tempo de se ajustar antes do pleito.
A alta de preços deste ano foi impulsionada principalmente pela guerra no Oriente Médio envolvendo o Irã. O fechamento do Estreito de Ormuz, passagem essencial para o comércio, fez o petróleo disparar. Na semana passada, o barril chegou brevemente a mais de US$ 117, o maior valor em mais de seis meses.
Economides afirmou que elevar juros não resolve sozinho a inflação causada por choques de oferta. Segundo ele, a medida ajuda quando a economia está superaquecida, mas pode ter efeito contrário nos demais casos.
O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a inflação atual persiste além da guerra e que a alta de juros serviu para evitar que os preços subissem ainda mais. Em setembro, disse que o banco não pode controlar preços individuais, como os do petróleo e dos alimentos, mas pode impedir que mudanças de preços relativos se espalhem pela economia.
O custo de vida deve pesar nas eleições de meio de mandato, que definirão quem controlará o Congresso. Em diversas pesquisas, a economia aparece como o principal tema para os eleitores.
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