Países do Golfo negociam acordo de paz para evitar retomada da guerra entre Irã e EUA
Plano prevê reabertura do estreito de Ormuz e retirada de forças houthis do Iêmen; Washington pede concessão nuclear de Teerã
Os países do Golfo preparam um acordo de paz em várias etapas para impedir a retomada da guerra entre Irã e Estados Unidos. Segundo o The Guardian, o plano prevê reabrir o estreito de Ormuz em até quatro dias após o levantamento das sanções, além da retirada de parte significativa das forças houthis do Iêmen.
Os Estados Unidos acompanham as conversas, mas aguardam uma concessão de Teerã. Diplomatas europeus afirmam que a permissão para que inspetores de armas da ONU voltem ao Irã e visitem instalações nucleares bombardeadas é um requisito mínimo para qualquer avanço. O chanceler britânico Ed Miliband pediu esse acesso ao iraniano Abbas Araghchi, em Nova York, mas o Irã recusou e disse que só aceita discutir de forma geral o programa nuclear.
Ali Bagheri, vice-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmou que o país aceita reduzir de sete para quatro dias o prazo para reabrir o estreito após o fim das sanções econômicas. Teerã também reconhece um papel de mediação no conflito do Iêmen. Mohsen Rezaei, secretário do conselho, encontrou nesta terça-feira o embaixador houthi no Irã, Ibrahim al-Dulaimi, 24 horas depois de uma delegação de alto nível da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão chegar a Teerã.
O Irã apoia os houthis e tem influência sobre eles. Os rebeldes exigem que a Arábia Saudita suspenda o que consideram um bloqueio naval e aéreo a territórios sob seu controle. Na reunião com Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, o Irã evitou a pauta nuclear e levou à mesa uma discussão sobre uma visão regional de segurança de longo prazo, com participação dos países do Golfo e redução ou fim da presença militar dos EUA no Oriente Médio.
Um pacto de não agressão que faria o Irã deixar de ser isolado pelos vizinhos do Golfo, situação que vigora desde a Revolução Islâmica de 1979, atenderia ao principal objetivo estratégico de Teerã. O chanceler de Omã, Badr Albusaidi, um dos defensores desse plano, disse acreditar que a administração americana entende que a região caminha nessa direção. Segundo ele, há aceitação geral de que essa será a linha após a conclusão de um acordo.
Em evento televisionado no Irã, Araghchi afirmou: "Recentemente se fala em uma nova guerra, mas eu já penso no período pós-guerra. Havendo guerra ou não, nossas políticas continuam as mesmas."
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