EUA adiam deportação de cerca de 101 mil ucranianos e 1,8 mil sudaneses
Departamento de Segurança Interna diz que decisão sobre o status de proteção temporária será anunciada no momento apropriado
Cerca de 101 mil ucranianos e 1,8 mil sudaneses podem permanecer nos Estados Unidos sem risco imediato de deportação, informou o Departamento de Segurança Interna (DHS), segundo o The Guardian. A medida vale como uma suspensão temporária, já que a proteção temporária desses grupos expiraria nesta segunda-feira.
Em comunicado por escrito, o DHS afirmou que um anúncio sobre o caso será feito "no momento apropriado". Até lá, ucranianos e sudaneses cobertos pela medida "mantêm a proteção". O órgão não informou por quanto tempo essas pessoas poderão ficar no país nem quando a decisão final será divulgada.
O departamento também não respondeu se o status permite manter as autorizações de trabalho. Em geral, a proteção temporária permite trabalhar enquanto estiver em vigor.
A decisão é mais um caso em que o governo de Donald Trump permite a permanência de pessoas amparadas pelo status sem definir prazo. A gestão já encerrou a proteção de mais de 1 milhão de pessoas de 13 países, entre eles Venezuela, Haiti, Honduras, Nicarágua, Afeganistão e Síria. Em uma mudança de prática há cerca de um mês, manteve a proteção de quase 200 mil salvadorenhos, cujo prazo vencia em 9 de setembro.
Yuriy Boyechko, diretor-executivo da ONG Hope For Ukraine, classificou o anúncio como "remendos de última hora". Para ele, trata-se de um curativo sobre uma ferida que não resolve o problema central, e os Estados Unidos precisam criar um caminho regular para a residência permanente. Ele afirmou que os ucranianos não podem retornar com segurança ao país.
Andrew Arthur, especialista em segurança nacional e imigração do Center for Immigration Studies, think tank de Washington que defende a redução da imigração, disse que o governo decidirá no futuro, sem prazo definido. Até lá, segundo ele, nada muda. Para o especialista, a medida deve funcionar como uma prorrogação até virar uma rescisão. Ele avaliou que tanto a Ucrânia quanto o Sudão vivem conflitos armados em curso, o que dá ao secretário autoridade para manter a proteção a ambos.
A decisão foi tomada duas semanas antes das eleições de meio de mandato, quando as políticas migratórias rígidas de Trump serão testadas nas urnas. Ativistas e um grupo bipartidário de parlamentares vinham alertando para o prazo, argumentando que as condições na Ucrânia ainda são inseguras por causa da guerra com a Rússia.
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