Acordo de Trump com a Rússia sobre diesel é criticado por senadores e aliados
Zelensky diz não ter sido avisado; Moscou não se manifestou e atacou usinas elétricas ucranianas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira um acordo com o russo Vladimir Putin para a importação de centenas de milhares de toneladas de diesel da Rússia nos próximos meses. Ele afirmou, na rede Truth Social, que a medida baixará os preços para os americanos.
Dois dias depois, Trump publicou outro anúncio, desta vez sobre um cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que não foi avisado antes do acordo, mas que seu país vai cumpri-lo. A Rússia não comentou o acordo e, na noite de domingo, lançou novos ataques contra usinas elétricas ucranianas.
Zelensky ironizou a situação na segunda-feira. “É evidente que Putin não lê o Truth Social”, afirmou. Ele acrescentou que, se a Rússia não aceitar um cessar-fogo energético no inverno, a Ucrânia reagirá.
Quatro senadores republicanos se uniram a democratas em uma carta que pede a Trump que reverta a decisão sobre o diesel. Em comunicado divulgado no domingo, os senadores lembram que o Congresso proibiu, em 2022, a importação de energia russa para evitar o financiamento da guerra contra a Ucrânia. Segundo eles, a autorização de Trump para a compra de diesel russo vai na direção contrária dessa lei.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, deu apoio ao cessar-fogo energético, mas criticou o acordo do diesel. Para ele, a medida enfraquece a paz na Europa e ajuda Moscou a custear a guerra, que chamou de “ilegal e injustificável” contra a Ucrânia.
Trump disse no sábado que chegou a hora de a Ucrânia escolher um novo presidente. Segundo o Financial Times e a CNN, os Estados Unidos ameaçaram suspender a venda de armas e o compartilhamento de inteligência com Kiev caso a Ucrânia não pare de atacar refinarias russas. Trump disse que Zelensky deve “parar imediatamente”.
Até agora, o cessar-fogo teve pouco efeito sobre o preço do diesel nos EUA. O combustível está abaixo dos recordes recentes, mas segue acima de US$ 6 por galão.
Pesquisas citadas pelas reportagens indicam que os eleitores atribuem à guerra contra o Irã a principal causa de seus problemas. A aprovação de Trump na condução da guerra e da economia caiu de forma acentuada. Os preços altos de energia, sobretudo nos estados agrícolas do centro do país, aumentaram a frustração dos eleitores.
As eleições de 3 de novembro vão definir os 435 deputados da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. Na Arábia Saudita, uma onda de ataques dos houthis contra aeroportos e infraestrutura de energia matou pelo menos 13 pessoas no fim de semana. O conflito, que dura uma década, se agravou durante a guerra entre EUA e Irã.