Universidades particulares proíbem atos políticos antes do 2º turno
Vetos valem até o fim do período eleitoral; no Rio, influenciador debocha do assassinato de Marielle Franco e recebe resposta da filha da vereadora
A Universidade Presbiteriana Mackenzie e a PUC-Rio proibiram eventos político-partidários em seus campi, segundo comunicados das reitorias. A medida atinge grupos estudantis favoráveis a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência.
No Rio, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro suspendeu todos os eventos político-partidários no campus até o fim do período eleitoral. A decisão foi divulgada na segunda-feira (12/10), em nota do vice-reitor Renato Callado, na véspera de duas mobilizações marcadas para o mesmo local.
Um dos grupos, “A PUC também é nossa”, é formado por simpatizantes de Flávio Bolsonaro. Ele planejava um ato “contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e os gastos públicos” e a entrega de um documento à vice-reitoria. O outro, o coletivo “PUC-Rio Antifascista”, convocou um encontro de apoio à reeleição de Lula.
Segundo as reportagens, os grupos mantiveram os atos do lado de fora da universidade. Na manhã de terça-feira (13/10), trocaram ofensas.
Durante a concentração, o influenciador Breno Faria debochou do assassinato da vereadora Marielle Franco, morta em 2018. Ela também foi ex-aluna da PUC-Rio. “Marielle tá no céu, com papai do céu. Ou não, né? Ou tá no colo do capeta”, disse ele.
Faria foi candidato a deputado federal pelo PL no Rio de Janeiro, com 27.088 votos, e não foi eleito. Ele não se pronunciou sobre o episódio até a publicação das reportagens.
A filha de Marielle, Luyara Franco, respondeu em vídeo nas redes sociais. Ela afirmou que zombar do assassinato “não é opinião” e “não é debate”, e classificou o caso como “violência política”.
A reitoria da PUC-Rio afirmou que tem como dever institucional proteger estudantes, professores e funcionários, além dos demais integrantes da comunidade universitária.
Dias antes da decisão da PUC-Rio, a Universidade Presbiteriana Mackenzie vetou qualquer atividade partidária no campus de Higienópolis, na capital paulista. O comunicado foi assinado pelo reitor Marco Tullio de Castro Vasconcelos. A medida veio após a convocação do grupo “Mackenzie com Lula” para uma assembleia de apoio ao petista nas imediações da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.
A direção do Mackenzie disse ter recebido manifestações de preocupação de integrantes da comunidade acadêmica. Também apontou a falta de autorização prévia para o encontro.