Flávio Bolsonaro anuncia pedido de cassação da chapa de Lula
Derrotado no segundo turno, senador também diz ter sido intimado pela PF a entregar o passaporte
Nesta segunda-feira (26), o senador Flávio Bolsonaro (PL) declarou que pretende solicitar a cassação da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi reeleito no domingo (25) para um quarto mandato. Segundo ele, a campanha foi marcada por abuso de poder político e econômico.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio acusou Lula de injetar quase meio trilhão de reais de dinheiro público para comprar votos, por meio de um pacote de benefícios anunciado no período eleitoral. Ele também acusou o PT de disseminar informações falsas em massa. Segundo as matérias, o senador não apresentou provas dessas acusações.
Um dia antes, na noite de domingo, Flávio havia dito que pediria a anulação da eleição por causa da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar a votação até as 19h em todo o país. Nesta segunda, o senador voltou a criticar a medida e afirmou que o que ocorreu no domingo não foi normal. Ao falar em cassação, ele trocou o pedido de anulação pelo de cassação da chapa.
Flávio também afirmou que a Polícia Federal o intimou a entregar o passaporte e que está proibido de deixar o país. A ordem, segundo ele, partiu do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e foi dada na noite de domingo. Ele disse que a abordagem ocorreu pela manhã, depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio é investigado, junto com o advogado Willer Tomaz, em processo que apura suspeita de lavagem de dinheiro. As investigações estão em andamento e não significam condenação. Segundo o senador, a decisão de Moraes se baseou em declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), feita em 23 de outubro, em que ele defendeu que o irmão deixasse o país caso perdesse a eleição. "Eu nunca falei isso", disse Flávio. Ele afirmou que vai entregar o passaporte e se defender.
Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos, cerca de 64,2 milhões, contra 48,21% de Flávio, que teve 59,8 milhões. A vitória foi uma virada em relação ao primeiro turno. Na apuração noturna de domingo, quando 97% das urnas estavam apuradas, o TSE registrava 51,74% para Lula e 48,26% para Flávio. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou ter "absoluta segurança" no processo eleitoral.
Flávio disse que não reconhece o resultado nas condições em que, segundo ele, a votação ocorreu. Ele afirmou que a campanha vai acionar o departamento jurídico para contestar a eleição.
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