Deputado italiano pede explicações sobre cidadania de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro
Angelo Bonelli quer saber se os filhos de Jair Bolsonaro tiveram tratamento preferencial na fila da embaixada em Brasília.
O deputado italiano Angelo Bonelli, líder da coalizão de oposição Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), apresentou nesta quarta-feira (28/10) uma interpelação ao governo da Itália. O documento pede explicações sobre a cidadania concedida ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a seus irmãos, Eduardo e Carlos Bolsonaro, e questiona se os três tiveram tratamento preferencial.
Bonelli dirigiu o pedido aos ministérios das Relações Exteriores e do Interior. Ele quer as datas de inscrição na lista de espera, de convocação e de apresentação de documentos, além da posição dos irmãos em relação a outros requerentes. Também pergunta se o governo pretende abrir uma investigação. Segundo as fontes, não há prazo para resposta, que deverá ser dada no plenário da Câmara. Para o deputado, é necessário verificar se os três foram convocados pela ordem cronológica ou se receberam um "rito acelerado".
Segundo o parlamentar, Flávio e Eduardo pediram inclusão na lista de espera da Embaixada da Itália em Brasília em 2020. Eles obtiveram a cidadania em 2023, data que a subsecretária do Interior, Wanda Ferro, já havia confirmado em outro pedido de informações do próprio Bonelli, feito no âmbito da fuga da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). Carlos recebeu o reconhecimento em 2024.
Bonelli afirma que, em diversos consulados italianos no Brasil, a espera pode passar de dez anos. Ele diz que, em Brasília, as convocações ficaram suspensas desde agosto de 2018. As fontes divergem sobre o que ocorreu em novembro de 2022. O Correio Braziliense relata que as convocações foram interrompidas de novo naquele mês, atingindo pessoas que aguardavam desde 2018. O Metrópoles informa que a embaixada começou, naquele período, a analisar pedidos de quem entrou na fila quatro anos antes.
Em 8 de novembro de 2022, nove dias após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial, Flávio e Eduardo compareceram à embaixada. A Folha afirma que a visita serviu para dar início à tramitação do pedido. O Metrópoles diz que o objetivo foi agilizar os processos. As fontes não trazem documento que confirme a finalidade do encontro.
A Folha relata que Flávio usou o passaporte italiano para entrar na Argentina, uma das etapas de sua saída do país rumo aos Estados Unidos. O Metrópoles afirma que ele deixou o Brasil com esse documento. Bonelli também cita o caso de Zambelli, condenada no Brasil, que usou o passaporte italiano em sua fuga e declarou se sentir "intocável" na Itália.
As fontes divergem também sobre a norma que restringiu o acesso à cidadania por descendência. O Metrópoles cita um decreto de março de 2025. A Folha fala em uma lei aprovada no ano passado. Ambas afirmam que a mudança limitou os pedidos de descendentes nascidos fora da Itália.
Flávio é alvo de investigações no Brasil, segundo a Folha e o Metrópoles. Bonelli menciona essas investigações no texto da interpelação.
O governo de Giorgia Meloni ainda não se pronunciou sobre o pedido, até a publicação desta matéria. Nenhuma das fontes consultadas registra resposta de Flávio, Eduardo ou Carlos Bolsonaro às acusações feitas por Bonelli.
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