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EUA cogitam execução de Nidal Hasan por fuzilamento, e Trump descarta proposta

Secretário de Defesa anunciou transmissão ao vivo da execução após condenação por ataque que matou 13 militares em Fort Hood

Por Redação Dado Bruto · 17 out. 2026, 17h57 · Atualizada às 19h23 Fontes
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O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou que o Exército transmitiria ao vivo a execução por fuzilamento de Nidal Hasan, condenado pelo ataque que matou 13 militares na base de Fort Hood, no Texas, em 2009. Após a rejeição pública à proposta, o presidente Donald Trump descartou a medida.

Se fosse realizada, a execução seria a primeira feita pelo Exército americano com pelotão de fuzilamento desde 1945. O método já é autorizado por vários estados americanos para aplicar a pena de morte.

O anúncio veio pouco depois da tentativa malsucedida de execução de Christa Pike, condenada pela morte de uma colega de classe, por injeção letal. Segundo os advogados dela, Pike foi levada ao hospital e, dez dias depois, recebeu alta e foi transferida para a prisão.

O Centro de Informações sobre a Pena de Morte, organização de pesquisa sem fins lucrativos que não toma posição sobre a pena capital, contabiliza 64 execuções malsucedidas nos últimos 50 anos. Dessas, 51 ocorreram com injeção letal. O total de execuções no período é de 1.683.

Especialistas médicos e pesquisadores que estudam execuções afirmam que todos os métodos usados nos Estados Unidos podem causar dor intensa, sobretudo quando aplicados de forma inadequada. A diretora-executiva do centro, Robin Maher, disse: “Sempre existe a possibilidade de erro quando há seres humanos envolvidos nas execuções”.

Associações médicas nacionais, entre elas as de médicos e de enfermeiros, proíbem que seus integrantes participem de execuções. A Associação Médica Americana afirma que essa participação, de qualquer forma, contraria o juramento da profissão.

A injeção letal, usada pela primeira vez no Texas em 1982, é hoje o método mais comum no país. O médico Joel Zivot, professor de anestesiologia e cirurgia em Atlanta, disse que os estados a adotaram por parecer, à primeira vista, uma forma mais pacífica de execução. Para ele, essa percepção era equivocada: “Isso era um mito”. Zivot afirmou que a aplicação pode provocar edema pulmonar, com sensação dolorosa de afogamento.

Pike sofria de trombocitose e tinha outras condições médicas, sobre as quais os advogados haviam alertado antes da execução. Segundo os advogados, era possível ouvi-la chorar, soluçar e respirar com dificuldade durante todo o procedimento.

Maher atribui as falhas com injeção letal a causas variadas. Entre elas estão a falta de treinamento da equipe, medicamentos deteriorados, vencidos ou armazenados de forma incorreta, e o uso de combinações de substâncias nunca testadas. Os estados geralmente não divulgam o treinamento de quem aplica o procedimento. Além disso, muitas farmacêuticas não vendem os medicamentos às prisões para esse fim.

Diante desses problemas, alguns estados passaram a usar o gás nitrogênio. Alabama e Louisiana foram os primeiros a realizar execuções com esse método. Arkansas, Mississippi e Oklahoma também o autorizam.

Em 2024, o Alabama executou Kenneth Eugene Smith com gás nitrogênio, após uma tentativa malsucedida de injeção letal em 2022. Segundo uma testemunha ouvida pela BBC na época, Smith se contorceu violentamente na maca durante os 25 minutos da execução. O método consiste em obrigar o condenado a respirar nitrogênio puro até morrer por asfixia. Zivot afirmou que pessoas que inalam o gás podem sofrer convulsões. Desde janeiro de 2024, o Alabama executou sete pessoas dessa forma. Zivot descreveu os casos como “um espetáculo horrível de luta, movimentos e convulsões”.

O Exército, até o fechamento desta matéria, não havia realizado nenhuma execução por fuzilamento desde 1945, e a proposta envolvendo Hasan não foi levada adiante.

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