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Mundo09h54

Fiji decreta emergência nacional por alta de casos de HIV

Governo reconhece compartilhamento de sangue entre usuários de drogas como fator, mas OMS vê poucas evidências de prática generalizada

Por Redação Dado Bruto · Fontes
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Ilustração: globo com meridianos e uma órbita
Ilustração: dadobruto.com · sobre as imagens

Fiji declarou estado de emergência nacional na semana passada, diante do avanço de casos de HIV no arquipélago do Pacífico. Hoje, cerca de um em cada 60 adultos do país vive com o vírus. Há cinco anos, a proporção era de um em 167.

O alerta envolve o bluetoothing, prática em que usuários de drogas retiram sangue de quem acabou de usar uma substância e o injetam em outra pessoa, para que ela sinta o mesmo efeito. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a técnica cria "risco excepcionalmente alto" de transmissão de HIV, hepatites B e C e infecções bacterianas graves. Reportagens também citam registros da prática em Lesoto, Zimbábue e África do Sul.

O Ministério da Saúde de Fiji reconheceu a prática como um dos fatores por trás do aumento de casos em 2024. Em janeiro, classificou o surto como "crise nacional" e anunciou um programa de distribuição de seringas e agulhas. A OMS, porém, afirma haver poucas evidências de que o método seja generalizado no país. Em avaliação rápida feita em dezembro, entrevistou 56 pessoas que injetam drogas. Duas disseram ter compartilhado sangue, e quatro afirmaram ter presenciado a prática.

A extensão do problema e sua participação na crise são controversas. Agentes comunitários de saúde dizem que o fenômeno é real e pressionam governos e agências internacionais. O diretor-executivo da ONG Drug Free Fiji, Kalesi Volatabu, afirma ter visto a prática pela primeira vez e questiona: "Quantas vidas precisamos perder antes de realmente fazermos algo a respeito?"

Segundo a Unaids, cerca de 41 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo. De acordo com a OMS, cerca de 570 mil pessoas morreram por causas ligadas ao vírus em 2025, redução de 73% em relação ao pico de 2004.

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