Calor deixa cerca de 50 mil mortes em cidades europeias, estima estudo
Pesquisadores atribuem cerca de dois terços dos óbitos ao aquecimento causado pela atividade humana.
Pesquisadores estimam que o calor do verão de 2026 matou cerca de 50 mil pessoas em 854 cidades europeias, entre junho e agosto. Segundo o estudo, aproximadamente 32 mil dessas mortes estão ligadas ao aquecimento provocado pela atividade humana, sobretudo pela queima de combustíveis fósseis.
Segundo os autores, foi o verão mais letal por calor desde 2000, início da série analisada. Os números de comparação variam conforme a fonte: uma aponta aumento de cerca de 71% em relação a 2022, e outra descreve o total como quase o dobro dos dois anos mais letais seguintes.
As pessoas com 85 anos ou mais concentraram parte expressiva das mortes, variando entre quase metade e mais da metade do total, conforme a fonte. Ainda assim, cerca de 830 pessoas entre 20 e 44 anos também teriam morrido em consequência do calor.
Os números não são uma contagem de certidões de óbito que citem o calor como causa. Os pesquisadores combinaram dados de temperatura, informações demográficas e modelos que relacionam temperatura e mortalidade. Em seguida, compararam esse cenário com um hipotético, sem aquecimento humano, para estimar a parcela atribuível às emissões.
O levantamento cobre áreas urbanas que somam cerca de 40% da população dos países estudados, e os cientistas afirmam que o resultado não pode ser extrapolado de forma simples para vilarejos e cidades menores. Os totais por país também diferem dos calculados pelas próprias agências de saúde nacionais, que usam outros métodos.
David García-García, pesquisador do sistema de monitoramento de mortalidade do Instituto Carlos III, em Madri, não participou do estudo. Ele afirmou que as estimativas se baseiam em temperaturas observadas e modelos epidemiológicos, e não em dados reais de óbitos ocorridos no verão de 2026.
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