Anvisa restringe uso compassivo da polilaminina; pesquisadora critica regras
A agência diz que nove pacientes que receberam a substância fora do estudo clínico morreram desde fevereiro; o laboratório nega relação com o produto.
A Anvisa restringiu o uso compassivo da polilaminina, substância ainda em testes do laboratório Cristália, a pacientes com lesões de até três dias na coluna torácica. A pesquisadora Tatiana Sampaio criticou a medida em vídeo divulgado na quarta-feira (21/10).
Segundo a Anvisa, nove pacientes que receberam a substância fora do estudo clínico morreram desde fevereiro. O Cristália afirma que nenhuma das mortes tem relação com o produto. A agência diz que a decisão de abril considerou o registro dessas mortes entre as 119 aplicações feitas.
Pelas regras anteriores, pacientes com lesões de até três meses podiam receber a substância com autorização da agência. Agora, a permissão vale apenas para lesões de até três dias localizadas entre as vértebras T2 e T10. Tatiana afirma que "poucas pessoas conseguem cumprir" essas exigências.
A pesquisadora atribui a mudança à pressão de outros cientistas, da imprensa e de influenciadores, que, segundo ela, questionaram a eficácia da substância. Ela afirma que o trabalho não tem erros metodológicos. A Anvisa rebateu que a indicação defendida por Tatiana difere da apresentada pelo Cristália e que nenhum pedido de mudança foi enviado ao órgão. A agência também disse que "não há dados de segurança confiáveis até o momento".
O estudo clínico, aprovado pela Anvisa em janeiro, ainda não começou. Segundo o laboratório, não foi possível recrutar pacientes. Tatiana defende ampliar o acesso a pessoas com lesões antigas, o que a agência não aceitou até a publicação desta nota.
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