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Política31 out

Método de Janones inspira esquerda na França, na Argentina e na Espanha

Partidos e apoiadores adotam canais de WhatsApp e tarefas para militantes; Petro elogiou a articulação do deputado

Por Redação Dado Bruto · Fontes
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Ilustração: Congresso Nacional, em formas geométricas
Ilustração: dadobruto.com · sobre as imagens

Partidos e apoiadores de esquerda na França, na Argentina, na Colômbia e na Espanha passam a adotar a estratégia de mobilização do deputado federal André Janones nas redes sociais, sobretudo por meio de canais de WhatsApp. A movimentação foi registrada entre o fim de outubro de 2026 e o início de novembro.

Na França, o parlamentar Antoine Léaument, filiado ao partido França Insubmissa, publicou no dia 27 de outubro um artigo no qual relaciona ao "janonismo" diretrizes para a campanha de Jean-Luc Mélenchon. Entre essas diretrizes aparecem a criação de um canal no WhatsApp, a atribuição de funções aos militantes e a provocação de opositores sem dar mais alcance às suas postagens. O texto aconselha responder com prints de tela e bloquear perfis de direita. Léaument afirma que a mobilização já acontece pelo WhatsApp e divulga o link do canal.

Na Argentina, o canal Ejército del Peronismo se apresenta como inspirado no Exército do Lula. Segundo a descrição, o grupo quer organizar apoiadores para a eleição presidencial de 2027 e convoca os participantes a receber "missões".

Na Colômbia, o ex-presidente Gustavo Petro elogiou em 26 de outubro, na rede X, a articulação de Janones entre ativistas no WhatsApp e mobilizações nas ruas. Janones respondeu em espanhol: "Me coloco à disposição da Colômbia, de seu povo e da esquerda mundial". Segundo o site Metrópoles, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum também convidou o deputado para visitar o país.

Na Espanha, canais de WhatsApp de apoio ao primeiro-ministro Pedro Sánchez também se inspiram na experiência brasileira. Um deles reunia cerca de 41 mil seguidores em 29 de outubro. O Ejército de Sánchez, com menos seguidores, declara inspiração no Exército do Lula.

No Brasil, o Exército do Lula alcançou aproximadamente 10,8 milhões de seguidores no WhatsApp ao longo da campanha presidencial. Janones se valia do canal para atribuir tarefas, como repostar vídeos, impulsionar hashtags e convocar pessoas a tomar parte da ação.

A cientista política Tathiana Chicarino, da FESPSP, afirmou à BBC News Brasil que a atuação digital precisa estar ligada à mobilização presencial. Segundo ela, as ordens urgentes funcionam no fim de uma campanha, mas têm "pouca possibilidade de manutenção". O cientista político Leandro Consentino, do Insper, avaliou que o modelo permite falar diretamente com o eleitor, mas pode deixar o debate sobre políticas públicas em segundo plano.

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