PF pede mais 90 dias para concluir inquérito sobre filme Dark Horse
Investigadores querem ligar remessas de US$ 12,3 milhões ao exterior à produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro
A Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, mais 90 dias para concluir o inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O prazo anterior terminou em 10 de outubro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do partido à Presidência, é um dos investigados. A PF apura evasão de divisas, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção ativa. Segundo a corporação, o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria se comprometido a aportar cerca de R$ 134 milhões na produção.
Segundo a PF, sete remessas feitas pela Entre Investimentos e Participações ao fundo norte-americano Havengate Development Fund, entre fevereiro e setembro de 2025, somam US$ 12,3 milhões. Os investigadores querem saber a relação desses envios com os valores recebidos pela produtora brasileira Go Up. A análise policial aponta que a empresa recebeu US$ 2,8 milhões, equivalentes a R$ 14,8 milhões, por meio de 20 contratos de câmbio, entre junho de 2025 e abril de 2026.
O colaborador Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, dono da Entre Investimentos, teve a delação homologada por Mendonça em 9 de setembro. Em depoimento de 1º de outubro, ele afirmou que os envios seriam para um investimento imobiliário nos Estados Unidos e que não sabia da destinação ao filme. A PF, porém, cita uma carta-acordo que menciona a produção cinematográfica e prevê compromisso de US$ 24 milhões. Para os investigadores, o documento está em aparente contradição com a versão do colaborador.
A PF também questiona a origem do dinheiro da primeira remessa. Segundo a corporação, um depósito de R$ 12 milhões feito pela Super Empreendimentos ocorreu em 12 de fevereiro de 2025, um dia antes da transferência ao exterior. Freixo havia atribuído os recursos a uma conta no Banco Master, à venda de ativos ou a caixa próprio. A PF investiga se a Super Empreendimentos está ligada ao circuito financeiro de Vorcaro.
Entre as pendências, a PF cita a perícia contábil-financeira, a análise de dados eletrônicos e um pedido de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos para obter registros financeiros de entidades estrangeiras. Os investigadores pretendem ouvir novamente Freixo, além de Fabiano Zettel, Paulo Calixto e representantes das produtoras do filme.
O inquérito foi aberto em julho, a pedido da PF, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A investigação teve origem em reportagem do site The Intercept Brasil com gravações de conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro sobre aportes para a obra.
Flávio Bolsonaro confirmou ter pedido apoio financeiro para o filme, mas negou irregularidades. Segundo o senador, sua participação se limitou à busca de investimento privado para uma obra sobre o pai, sem contrapartidas. A defesa dele pediu acesso integral aos autos. Cabe a Mendonça decidir sobre o pedido, de acordo com a PF.
O pedido de prorrogação chegou ao STF em 15 ou 16 de outubro, conforme a fonte consultada.
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