MP-SP investiga suspeita de regalias a presos em cadeia de Mogi onde está Milton Leite
Três mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta sexta-feira (16) em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
Nesta sexta-feira (16), o Ministério Público de São Paulo (MPSP) lançou a Operação Custódia (In)Fiel para averiguar indícios de privilégios concedidos a detentos provisórios da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Dentre os presos nessa unidade está Milton Leite (União), ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo.
O caso é tocado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Três mandados de busca e apreensão foram executados: um na própria penitenciária, outro na sede do 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes e o terceiro em uma residência do município.
De acordo com o Ministério Público, existem evidências de um trânsito constante de visitantes junto aos detentos, grande parte sem qualquer parentesco com eles. Para os investigadores, esse vaivém não condiz com o regime de custódia. A investigação também pretende apurar se houve a liberação de outras vantagens indevidas na unidade.
Os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e prevaricação. Segundo o MPSP, as diligências visam reunir elementos que confirmem ou reforcem as suspeitas. Até a publicação, não foram divulgados nomes de eventuais responsáveis.
Os agentes da Polícia Militar, da Polícia Penal e da Corregedoria da Polícia Civil deram suporte à ação, contando com policiais e cães farejadores treinados para o sistema prisional. Segundo o MPSP, o inquérito tramita em sigilo. Até o momento, não está claro se algum material foi recolhido durante as diligências.
A diligência se insere na Operação Vectura Corrupta, iniciada em setembro para apurar a penetração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo e em órgãos públicos. Conforme as autoridades, há suspeitas de que a facção tenha se infiltrado em companhias que atuam na capital paulista e de que financie campanhas eleitorais.
O Vectura Corrupta é um desdobramento da investigação Decúrio. Milton Leite foi alvo de mandado de prisão nesse caso, entregou-se à polícia em setembro e permanece preso em Mogi das Cruzes.
O advogado Aloisio Lacerda Medeiros, que representa Milton Leite, não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para resposta.
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