Leão 14 se recupera de cirurgia no pulmão após diagnóstico de câncer
Vaticano diz que o papa já anda e voltou a se alimentar normalmente; viagem à América do Sul está em dúvida
O papa Leão 14, de 71 anos, passou por uma cirurgia de 90 minutos no Hospital Gemelli, em Roma, para retirar o lobo inferior do pulmão direito. A operação ocorreu depois do diagnóstico de câncer no pulmão, anunciado na terça-feira (13).
Em boletim, os médicos do Vaticano informaram que o papa teve uma noite tranquila e que a recuperação avança "conforme o esperado". Ele já anda e voltou à alimentação normal. Exames de sangue e raios-x feitos na quarta-feira (14) indicam recuperação normal, segundo a equipe médica. O papa também faz fisioterapia respiratória.
Antes da cirurgia, a Santa Sé tinha confirmado uma viagem ao Uruguai, à Argentina e ao Peru. Após o diagnóstico, a agenda passou a ser incerta. O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, disse ter conversado com o papa na segunda-feira (12), à noite, e afirmou que o problema foi detectado a tempo. Até a publicação, Parolin não tinha comentado o diagnóstico divulgado depois.
Não há protocolo claro para o caso de um papa vivo, mas incapaz de governar. Quando o pontífice não consegue exercer suas funções, a administração recai sobre a Cúria Romana e, em especial, sobre o secretário de Estado. Segundo o especialista Filipe Domingues, do Centro Laico em Roma, decisões exclusivas do papa, como a nomeação de bispos, não podem ser delegadas. O Cânone 335 cita a Santa Sé "vacante ou totalmente impedida", mas não define a segunda situação.
Francisco deixou uma carta de renúncia escrita, em 2022, para uso em caso de incapacidade médica. Porém, o direito canônico exige que a renúncia seja "livre e manifesta", e não há regra sobre como ela seria ativada se o papa não pudesse expressar sua vontade.