Finlândia e Noruega telefonam para Putin e discutem fim da guerra na Ucrânia
Líderes nórdicos afirmam que a conversa não foi feita em nome da Europa como um todo
Os presidentes da Finlândia, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, telefonaram nesta terça-feira (27) para o presidente russo, Vladimir Putin. A ligação, feita de Helsinque, teve como objetivo discutir negociações futuras para encerrar a guerra na Ucrânia.
O contato é raro. Desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022, a maioria dos líderes da Europa Ocidental evitou falar diretamente com o Kremlin. Os dois governos afirmaram que a iniciativa partiu deles e não representa o bloco europeu como um todo.
Segundo os governos dos dois países, a conversa tratou da guerra, dos esforços diplomáticos para encerrar o conflito e da promoção da paz e da estabilidade na Europa. Stubb classificou a conversa como "franca e substantiva". Ele afirmou que o desfecho da guerra terá impacto direto na segurança do próprio país, da Noruega e do restante do continente.
Støre disse que a guerra impõe custos humanos e materiais enormes e que o sofrimento e a destruição afetarão gerações. Os dois líderes afirmaram que vão manter contato telefônico direto com Putin.
O Kremlin divulgou sua própria versão. Segundo a nota, Putin afirmou que uma paz justa e duradoura só será possível se os interesses da Rússia forem plenamente considerados. Ele também criticou as políticas de confronto adotadas pela União Europeia e pela Otan, que, na avaliação dele, prolongam as hostilidades. Não houve sinal de concessão por parte de Moscou em relação às posições já declaradas.
Após a ligação com Putin, os dois líderes conversaram com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Ambos reafirmaram apoio à Ucrânia e disseram que esse suporte continuará.
A iniciativa provocou reação em outros países europeus. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, disse estar "muito cética" em relação ao diálogo. Ela afirmou à emissora pública DR que a ligação não foi coordenada com os demais países europeus e defendeu que o bloco atue unido.
O contexto é de atrito entre Washington, Kiev e aliados europeus. Recentemente, os Estados Unidos flexibilizaram algumas sanções contra a Rússia, em acordos que permitiram exportações russas de combustível para o mercado americano. Como o governo Trump passou a ter papel central nas negociações, líderes europeus passaram a defender contato direto com o Kremlin.
A última ligação de um líder europeu com Putin foi a do presidente francês, Emmanuel Macron, em julho. As fontes divergem sobre o ano da conversa.
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