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Política48 min

Dino manda PF investigar suspeita de interferência estrangeira nas eleições

Decisão cita grupo ligado ao vice-presidente dos EUA e possíveis negociações sobre terras raras

Por Redação Dado Bruto · Fontes
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Nesta terça-feira (27), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino mandou que a Polícia Federal (PF) instaure inquérito para investigar indícios de interferência estrangeira no pleito de 2026. A apuração tem como alvo um possível financiamento da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que perdeu para Lula (PT) no segundo turno, disputado no domingo (25).

O centro da investigação é a Rockbridge Network, uma entidade privada de direita criada em 2019 por J.D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, em parceria com o empresário Chris Buskirk. Segundo a decisão de Dino, o grupo teria tomado parte em negociações para conseguir recursos financeiros para a campanha de Flávio Bolsonaro, mediadas pelos empresários Tallis Gomes e Pedro Sang. O texto também menciona reportagens que tratam de pagamentos e serviços vinculados à organização.

Segundo o ministro, os fatos descritos indicam “intensificação dos indícios de ingerência estrangeira no processo eleitoral”. Ele afirma que a Constituição veda a partidos o recebimento de recursos de entidades ou governos estrangeiros. Dino também escreve que não se admite interferência estrangeira sobre assuntos de soberania nacional.

A PF deverá verificar se houve fornecimento efetivo de recursos financeiros, humanos ou outras vantagens economicamente aferíveis à campanha. A investigação também vai apurar a atuação de Tallis Gomes e Pedro Sang na intermediação de apoio à candidatura. Segundo a decisão, a legislação eleitoral proíbe doações de origem estrangeira, inclusive indiretas, como serviços e publicidade.

Dino pediu ainda a apuração de um possível vínculo entre apoio eleitoral e interesse econômico de agentes estrangeiros em terras raras e minerais críticos. O ministro afirma que os recursos minerais pertencem à União e que sua exploração depende de autorização ou concessão.

A decisão também inclui a investigação de possíveis manipulações de algoritmos por empresas de internet para favorecer ou prejudicar candidaturas. O ponto surge após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar, em 15 de outubro, que a Meta não interferisse na distribuição de conteúdo político-eleitoral de Lula e de Flávio Bolsonaro até o fim do segundo turno. A medida foi tomada depois de a campanha de Lula alegar redução de alcance de suas publicações.

A Meta, controladora do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, rejeitou ter beneficiado qualquer candidato. Em comunicado, a companhia declarou que não se posiciona em disputas eleitorais e associou as falhas mencionadas a problemas de natureza técnica.

Sobre o caso Rockbridge, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou, em data anterior à decisão, que a campanha não recebeu verba ou estrutura estrangeira, o que é proibido pela legislação eleitoral.

Ainda não há prazo para a conclusão do inquérito. A apuração tramitará sob supervisão do STF, porque envolve possível participação de integrantes do Congresso Nacional.

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