Justiça de SP aceita recuperação judicial da Marabraz, com dívida de R$ 140 milhões
Seis empresas do grupo entram no processo, mas patrimônios seguem separados; varejista tem 60 dias para apresentar plano
A Justiça de São Paulo deferiu, na terça-feira (27), o pedido de recuperação judicial da rede de móveis e eletrodomésticos Marabraz. A decisão é da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível, assinada pela juíza Fernanda Perez Jacomini. As dívidas do grupo são estimadas em R$ 140 milhões.
A decisão suspende, por 180 dias, execuções, ações de cobrança e penhoras contra as empresas. Durante esse período, os credores abrangidos pelo processo não podem avançar com medidas para receber esses créditos.
Ao todo, a ação reúne seis companhias: a Comercial de Móveis Jordanésia, a S.V.C. Jaraguá Comercial, a Comercial Móveis das Nações, a Comercial Zena Móveis, a Monta Móveis Prestadora de Serviços e a Marabraz Comercial. Esta última foi incluída no caso por deter a titularidade da marca, que é vista como um componente importante do patrimônio empregado na operação.
A juíza autorizou a recuperação conjunta, mas negou, por ora, a consolidação substancial, que uniria patrimônios e dívidas das empresas. “Indefiro, por ora, o pedido de consolidação substancial formulado pelas recuperandas”, escreveu a magistrada. Na prática, cada empresa deve manter separadas contas, bens e obrigações.
O grupo tem 60 dias para apresentar o plano de reestruturação das dívidas aos credores. Também precisa complementar, em 15 dias, documentos pendentes, como extratos bancários específicos e certidões de protesto de filiais desativadas. Se não cumprir essas exigências, o processamento pode ser revogado.
A Deloitte Touche Tohmatsu foi nomeada administradora judicial. A consultoria já havia atuado na fase de constatação prévia e vai fiscalizar as atividades das empresas e acompanhar as informações financeiras apresentadas ao processo.
Em nota, a Marabraz afirmou que cumprirá as determinações judiciais e apresentará o plano no prazo legal. A empresa disse que a decisão é uma etapa para a reorganização financeira, a preservação das atividades, a manutenção de empregos e o pagamento de credores.
A Justiça também acolheu parcialmente um pedido da rede para retirar bens de antigas lojas. Segundo a Exame, os proprietários devem permitir o acesso de representantes da varejista, após notificação prévia e no prazo de 12 dias, para recolher mercadorias, mostruários e equipamentos comprovadamente pertencentes às empresas. A decisão não desfaz os despejos já determinados.
A crise financeira está ligada a uma disputa societária e familiar. Segundo a Exame, a varejista perdeu acesso a imóveis que servia de garantia para empréstimos bancários. Com isso, os bancos passaram a exigir novas garantias, reduziram limites de financiamento e elevaram o custo do crédito. A companhia chegou a fechar unidades e demitir funcionários. A CNN Brasil também citou a alta persistente dos juros como fator que agravou a situação.
A rede já teve mais de 130 lojas, sobretudo em São Paulo, segundo a Exame. A CNN Brasil informou que o pedido foi protocolado em agosto de 2026, em caráter de urgência, pelo escritório Campana Pacca.
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