Economistas apontam contas públicas e custo de vida como desafios de Lula
Dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em agosto; mandato começa em 5 de janeiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará desafios na economia em seu quarto mandato, segundo economistas ouvidos pela BBC News Brasil. Ele venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, com 51,79% dos votos válidos contra 48,21%. A posse ocorre em 5 de janeiro.
O principal desafio apontado é o equilíbrio das contas públicas. A dívida bruta do governo geral chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto, o equivalente a 82,9% do PIB, segundo o Banco Central. Economistas afirmam que o governo terá de fazer algum ajuste, mesmo que impopular, diante da pressão do mercado.
Segundo a Warren Investimentos, as despesas criadas pelo pacote eleitoral somam quase R$ 200 bilhões até 2030. A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, avalia que o governo perdeu credibilidade após quatro anos sem controle de gastos. Ela cita medidas como o Desenrola 3.0, o Pix de R$ 5 mil e o aumento do Bolsa Família.
Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos e ex-diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), defende um plano objetivo logo no início do governo. Para ele, um ajuste abrupto no primeiro ano poderia levar a economia à recessão. As projeções indicam crescimento próximo de 1% em 2027, após desaceleração desde meados de 2025.
Os economistas comparam o cenário ao de 2015, quando Dilma Rousseff (PT) adotou um ajuste fiscal duro, contrário às promessas de campanha. Segundo Rafaela Vitória, o diagnóstico atual é diferente do da época, quando, nas palavras dela, prevalecia a ideia de que "gasto é vida".
Antes da eleição, economistas disseram que Lula não apresentou planos claros para esses desafios. Respostas mais concretas são aguardadas após a definição da próxima equipe econômica.
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