Soldado da PM vira ré por morte de ajudante-geral em Cidade Tiradentes
Justiça aceitou denúncia do Ministério Público por homicídio triplamente qualificado; defesa anterior diz que a policial reagiu a agressão.
A Justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público contra a soldado Yasmin Cursino Ferreira pela morte da ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos, baleada em 3 de abril em Cidade Tiradentes, zona leste paulistana.
Yasmin passa a responder por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo a Promotoria, não havia situação que justificasse o disparo, já que Thawanna estava desarmada. Os promotores Rodolfo Justino de Morais e Lucas de Mello Schaefer assinam a denúncia.
Segundo a investigação, uma viatura da PM esbarrou no braço de Luciano Gonçalves dos Santos, marido da vítima, enquanto o casal caminhava na rua. A discussão que se seguiu escalou, e a policial deixou o veículo. Yasmin afirma que foi agredida pela ajudante-geral. Essa versão é contestada pelo marido e pelo advogado da família.
Moradores e a advogada da família, Viviane Leme, relataram à Folha que a policial deu um chute e um soco em Thawanna antes do disparo. Testemunhas ouvidas pela Folha afirmam que a vítima deu um tapa na mão da policial antes do tiro.
Ferida, Thawanna ficou caída no asfalto por cerca de 30 minutos, até a chegada da ambulância. O Ministério Público considera a demora uma das razões para caracterizar meio cruel. Yasmin está afastada do trabalho.
Em abril, o advogado Alexandre Guerreiro disse que a policial atirou para interromper uma escalada de agressões. Nesta terça-feira (20), ele afirmou que não atua mais no caso. A Folha não identificou o novo responsável pela defesa. O Metrópoles procurou a defesa de Yasmin e não havia recebido resposta até a publicação.
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