Coreia do Norte divulga fotos de Kim Jong-un após boato sobre sua morte
Dissidente chinês que espalhou a versão não apresentou provas; a inteligência sul-coreana diz não ter ouvido nada que a confirme.
A imprensa estatal da Coreia do Norte publicou fotos do líder Kim Jong-un na terça-feira (20), horas depois de um boato sobre sua morte circular na internet. As imagens, divulgadas pelo jornal oficial Rodong Sinmun, mostram Kim visitando uma exposição de roupas e calçados ao lado da filha, Kim Ju-ae. Ele tem 42 anos.
O boato foi espalhado por Wanjun Xie, que se apresenta como presidente do Partido Democrático Chinês, grupo proibido pelas autoridades da China. Segundo ele, Kim sofreu uma grave hemorragia cerebral, foi levado em coma para um hospital em Pequim e morreu lá. Xie afirma ainda que o corpo foi devolvido em segredo à Coreia do Norte e que o regime encobre a morte. Ele não apresentou provas. Ao divulgar a versão, ele já tinha espalhado outras afirmações não verificadas, incluindo especulações sobre a morte do presidente chinês, Xi Jinping.
As fotos não têm data confirmada, segundo as reportagens. Nas imagens, Kim aparece examinando vitrines acompanhado da filha e do grupo habitual de autoridades. A inteligência sul-coreana afirmou à agência Yonhap não ter registrado nada que confirmasse o relato. Segundo as matérias, uma crise de saúde grave de Kim provavelmente geraria sinais fora do país, como reforço na fronteira chinesa, aumento de atividade em missões diplomáticas norte-coreanas e informações de desertores que vivem na Coreia do Sul. Nada disso foi relatado.
Os rumores sobre a saúde de Kim voltam com frequência. Em 2020, um desertor norte-coreano afirmou ter "99% de certeza" de que Kim morrera após uma cirurgia cardiovascular. Pouco depois, Kim reapareceu em público.
Parte da atenção se deve à questão da sucessão. A família Kim governa a Coreia do Norte há três gerações. Kim Il-sung preparou o filho Kim Jong-il por décadas, e a transição foi tranquila quando ele morreu, em 1994. Já Kim Jong-un assumiu de forma mais rápida. Seu pai sofreu um AVC em 2008, e ele foi promovido na hierarquia antes da morte de Kim Jong-il, em 2011. Depois, Kim Jong-un consolidou o poder eliminando adversários.
A inteligência da Coreia do Sul acredita que Kim pode estar preparando Kim Ju-ae para sucedê-lo. Ela tem cerca de 13 anos, segundo estimativas, e aparece com frequência em eventos importantes e exibições militares. Não foi indicada formalmente como herdeira. A Coreia do Norte nunca foi governada por uma mulher, e a idade dela a deixaria vulnerável em uma disputa de poder.
Outro fator citado é o estado de saúde de Kim. As reportagens dizem que ele está acima do peso e é fumante. O Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul já alertou que seu estilo de vida aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Há histórico de AVCs e problemas cardíacos na família.
Uma mudança súbita de liderança levantaria dúvidas sobre o controle do arsenal nuclear norte-coreano e sobre a estabilidade política do país. Pequim, Seul e Washington acompanham o tema. Os Estados Unidos mantêm cerca de 28 mil soldados na Coreia do Sul.
Segundo as matérias, o país é de acesso muito restrito, e poucas pessoas têm contato regular com o líder. Até as agências de inteligência encontram dificuldade para confirmar informações. O regime também é suspeito de divulgar dados falsos para confundir observadores. As reportagens não trazem resposta do governo norte-coreano às afirmações de Xie.
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