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Dado BrutoDado Bruto
Brasil10h33

PF prende deputado estadual Márcio Canella e ex-secretário de Polícia Civil do RJ

Oitava fase da Operação Unha e Carne mira rede de postos suspeita de lavar R$ 7,6 bilhões em seis anos

Por Redação Dado Bruto · 15 out. 2026, 10h33 Fontes

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual Márcio Canella (União Brasil-RJ) e o ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amim, na oitava fase da Operação Unha e Carne.

A PF apura uma organização criminosa armada que, segundo a corporação, usaria uma rede de postos de combustíveis da Região Metropolitana do Rio como instrumento de lavagem de dinheiro. Para a PF, o grupo tem "articulação político-institucional" e conta com agentes públicos entre seus integrantes.

Além de Canella e Amim, foram presos Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo e apontado como inspetor da Polícia Civil, José Carlos Alves de Souza Júnior, Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes. Ao todo, seis pessoas foram presas com base em mandados de prisão preventiva.

Os agentes cumpriram também 16 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram em sete cidades: Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou as ações contra os policiais civis investigados.

Canella foi preso em casa, em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Ex-prefeito de Belford Roxo, ele foi eleito deputado estadual pelo União Brasil. A PF afirma que ele e Amim são investigados por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e formação de cartel, entre outros crimes.

A Justiça determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas ao esquema. Desse total, 96 são postos de combustíveis. Segundo a PF, esses estabelecimentos serviram para disfarçar e legalizar recursos de origem criminosa.

A investigação começou com um relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à PF. O documento aponta que o grupo movimentou R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.

Canella já havia sido alvo de buscas em investigação anterior. Em 7 de julho, policiais encontraram um fuzil em seu carro, e ele foi preso naquele episódio. A ocorrência deu origem à sétima fase da mesma operação.

Ao anunciar a ação, a PF disse que os investigados poderão responder também por contratação direta ilegal, segundo uma das fontes, ou por venda ilegal de combustíveis, segundo outra. A corporação afirmou ainda que novos crimes poderão ser incluídos no decorrer das apurações.

A ação se insere em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. Entre outras determinações, a decisão obriga a PF a investigar relações de agentes públicos com facções criminosas.

A reportagem não localizou manifestação da defesa dos presos. As fontes consultadas também não trazem essa informação.

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