Blackstone diz que temores sobre dívida de infraestrutura de IA são exagerados
Executivo Jas Khaira reconhece pressão de juros sobre empresas de nuvem para IA, mas descarta risco de crise de crédito
A gestora de private equity Blackstone afirmou que os receios sobre o endividamento ligado à infraestrutura de inteligência artificial são exagerados. A declaração foi feita pelo executivo Jas Khaira em palco na conferência TechCrunch Disrupt, segundo a TechCrunch.
Khaira lidera a BXN1, centro de iniciativas de IA da Blackstone sediado em San Francisco. Segundo ele, a empresa se diferencia dos capitalistas de risco tradicionais pelo foco no financiamento de computação, com estruturas que vão de dívida a participação acionária.
Um dos marcos citados é o empréstimo de US$ 2,3 bilhões concedido à CoreWeave em 2023, quando a empresa tinha receita baixa. Desde então, a dívida da CoreWeave subiu para cerca de US$ 50 bilhões.
Khaira reconheceu que o avanço do endividamento preocupa o mercado. Ele citou a alta dos juros em setembro, uma inflação acima do esperado e o aumento dos spreads de crédito, inclusive para grandes empresas de tecnologia. As ações da CoreWeave caíram mais de 20% nos últimos dias. A Firmus cancelou a oferta pública inicial prevista na Bolsa de Valores australiana, com valuation-alvo de cerca de US$ 30 bilhões.
Ao comentar o cenário, o executivo afirmou que a situação não lembra a crise de 2008, quando havia bancos com créditos frágeis. Ele disse que a maior parte dos centros de dados é construída para grandes provedores de nuvem, cuja dívida, segundo ele, está respaldada por empresas de alta solvência.
A Blackstone também participa de uma joint venture de US$ 1,5 bilhão com a Anthropic e a Hellman & Friedman, chamada Ode, que fornece engenheiros para ajudar empresas a adotar IA. A iniciativa começa com as 280 empresas do portfólio da gestora. Sobre os ganhos, Khaira disse que há retorno com IA, mas ele é desigual.
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