Eduardo Bolsonaro diz que Flávio deve deixar o país se perder a eleição
Ex-deputado, condenado pelo STF por coação, vive nos EUA e questiona a confiabilidade das urnas eletrônicas
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou, na sexta-feira (23), em entrevista ao programa “Louder with Crowder”, nos Estados Unidos, que é favorável a que seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), deixe o país caso perca a eleição presidencial.
“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”, disse Eduardo. A declaração foi dada ao vivo no estúdio do programa, apresentado pelo comentarista político Steven Crowder.
Na mesma entrevista, Eduardo questionou a confiabilidade das urnas eletrônicas. “O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina”, afirmou. Ele também criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) por ter derrubado, em duas ocasiões, trechos de leis que previam o voto impresso.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), jamais foi comprovada qualquer fraude no sistema de urnas eletrônicas, que vêm sendo empregadas no Brasil desde 1996. Quando a votação termina, cada máquina emite um comprovante com a soma dos votos apurados na seção. Essas folhas são divulgadas pelo TSE na internet, o que permite a qualquer cidadão cruzá-las com o resultado oficial.
Houve três iniciativas do Legislativo para instituir o voto impresso, aprovadas em 2002, 2009 e 2015. Em 2003, o próprio Congresso anulou a norma de 2002. Já as normas de 2009 e 2015 tiveram seus dispositivos sobre impressão do voto invalidados pelo STF, em 2013 e 2020 respectivamente, sob o argumento de que a mudança colocava em risco o sigilo do sufrágio.
Desde 2025, Eduardo reside nos Estados Unidos. Ele afirma ter saído do Brasil em razão de uma “perseguição política” dirigida a sua família. Em dezembro de 2025, a Mesa Diretora da Câmara decretou a perda de seu mandato devido ao número excessivo de ausências nas sessões.
No mês de junho, a Primeira Turma do STF, de forma unânime, julgou Eduardo culpado de coação no andamento de processo. De acordo com a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e acolhida pelo STF, ele agiu junto ao governo dos EUA para impulsionar a sobretaxa sobre produtos brasileiros e a suspensão de vistos concedidos a ministros do Executivo e da Suprema Corte. Na avaliação da corte, essa atuação tinha como meta influenciar o julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo sobre a trama golpista.
Por meio de decisão datada de 7 de outubro e tornada pública no dia seguinte, o ministro Alexandre de Moraes ordenou que a execução da pena tivesse início, além de emitir um mandado de prisão contra Eduardo. Determinou também a anulação de todos os passaportes brasileiros em seu nome. O trânsito em julgado da condenação ocorreu em 3 de outubro, o que elimina qualquer possibilidade de novos recursos.
Eduardo afirmou em entrevista que pretende voltar ao Brasil assim que houver condições para isso. Na conversa com Crowder, ele disse que o ministro Lula ameaçou seu irmão durante um debate eleitoral, o que ele contestou em tom crítico.
Comentários
- Carregando comentários…