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Como Lula chegou à reeleição: de 2,2 milhões de votos atrás no 1º turno a 3,7 milhões à frente na apuração

Flávio liderou o primeiro turno e 44 de 51 pesquisas do segundo; a totalização do TSE mostra Lula cerca de dois pontos acima da média delas.

Por Redação Dado Bruto · Fontes
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Urna eletrônica brasileira, modelo 2020
Imagem ilustrativa: Urna eletrônica brasileira, modelo 2020. Foto: TSE - Tribunal Superior Eleitoral · Public domain · créditos

Quando o primeiro turno terminou, o cenário parecia desenhado para Flávio Bolsonaro (PL). Pela apuração oficial, ele fechou a primeira rodada com 47,03% dos votos válidos (56.104.503 votos), contra 45,16% de Lula (53.879.538), uma vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos para o candidato do PL. Foi com esse placar que os dois chegaram ao segundo turno, e é contra ele que a reeleição de Lula, registrada pela totalização do TSE na noite de 25 de outubro, precisa ser lida.

As pesquisas do segundo turno, em geral, acompanharam esse desenho. O Dado Bruto reuniu 51 levantamentos divulgados depois do primeiro turno: em 44 deles Flávio aparecia à frente nos votos válidos, em 5 Lula liderava e 2 mostravam empate. A média simples dos 51 resultados deu 51,1% para Flávio e 48,9% para Lula. Nas primeiras pesquisas, do começo de outubro, a média de Lula nos votos válidos ficava perto de 47,8%; nas dez mais recentes, divulgadas entre 20 e 24 de outubro, chegava a 49,3%. A distância encolheu a cada semana, mas, na média, não se fechou.

É nesse ponto que a noite de domingo foge do roteiro das pesquisas. Com 91,95% das seções apuradas às 21h03, Lula tinha 51,6% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro 48,4%, uma vantagem de 3.694.214 votos para o presidente. Em vez de uma margem de 2,2 milhões de votos a favor do PL, como no primeiro turno, a parcial do segundo turno mostra uma margem de 3,7 milhões a favor do PT. As pesquisas finais, com margens de erro de 1 a 2,5 pontos, apontavam um resultado praticamente empatado com leve vantagem de Flávio; a apuração indica Lula cerca de dois pontos acima da média delas.

O desenho da apuração ajuda a entender por que a virada não foi percebida antes. A contagem começou favorável a Flávio, e o modelo do Dado Bruto chegou a apontar o candidato do PL à frente nas primeiras leituras, com menos de 10% das seções apuradas. À medida que entraram os votos de grandes colégios eleitorais, entre eles São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, a diferença se inverteu, e a estimativa do modelo foi subindo a favor de Lula até 51,8% dos votos válidos às 21h00, com intervalo de 95% entre 51,3% e 52,2%.

Dois cuidados são necessários. O primeiro é que a vitória de Lula é a que aparece na totalização do TSE, que já tornava o resultado matematicamente definido, e coincide com a projeção do Datafolha e com a estimativa do modelo do Dado Bruto; a diplomação formal vem depois. O segundo é que explicar a diferença em relação às pesquisas exige dados que ainda não existem: perfil do eleitor por região, comparecimento e abstenção, e voto de quem era indeciso ou votou em outros candidatos no primeiro turno. O Dado Bruto vai comparar esses números com as pesquisas quando a totalização estiver concluída.

Por ora, o que os números permitem afirmar é pouco e firme: Flávio saiu na frente no primeiro turno, as pesquisas passaram o segundo turno inteiro apontando disputa apertada com ligeira vantagem dele, e a apuração mostra Lula à frente por mais de 3,6 milhões de votos com 92% das seções contadas. A página da eleição no Dado Bruto segue atualizada com os números do TSE e a estimativa do modelo.

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