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Política21 min

Moraes determina bloqueio de até R$ 6 bi de advogado ligado a Flávio Bolsonaro

Decisão do STF também quebra sigilos e cancela passaportes de Willer Tomaz, que viajou a Miami após alvo da Operação Sem Desconto

Por Redação Dado Bruto · · Atualizada em 24 out. 2026, 00h02 Fontes
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Nesta sexta-feira (23), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou o bloqueio de até R$ 6 bilhões do advogado Willer Tomaz. A determinação foi proferida no inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro em operações relacionadas a bets.

Essa providência foi adotada após a Polícia Federal (PF) verificar que Tomaz esteve em Miami, nos Estados Unidos. Em agosto, ele havia sido alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que apura descontos irregulares em aposentadorias e benefícios do INSS. De acordo com a PF, a saída do território nacional oferece perigo de eliminação de provas, principalmente de fundos e empresas criados no exterior.

A ordem pode alcançar bens móveis e imóveis, aeronaves e embarcações. Moraes ainda decretou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado e de outras quatro companhias vinculadas a ele, incluindo a Alcazar Holdings, com sede na Ilha da Madeira, em Portugal. As instituições financeiras dispõem de 24 horas para encaminhar as informações das contas. O Coaf, o Banco Central e a CVM serão notificados para efetivar os bloqueios.

O ministro cancelou os passaportes de Tomaz, inclusive o diplomático, e suspendeu as atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as suas empresas.

Tomaz é amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência. Segundo a PF, e-mails encontrados nos dados da nuvem do advogado mostram Flávio cadastrado como “usuário master” de uma conta do Santander em nome da Alcazar Holdings, administrada por Tomaz. Para a PF, esse cadastro dava ao senador “acesso operacional relevante” à conta e pode indicar participação econômica ou societária de fato na empresa. Fontes ouvidas pela Gazeta do Povo afirmam que a PF reuniu registros de encontros, festas e reuniões, além de possíveis pagamentos de viagens.

A defesa de Flávio Bolsonaro negou, em nota citada pela Gazeta do Povo, que a relação com o advogado vá além da amizade entre as famílias. Também classificou como falsa a informação de que os dois compartilhavam uma conta bancária. O G1 registra a mesma negativa, com a afirmação de que um nunca movimentou recursos do outro.

A defesa de Tomaz, ouvida pelo G1, classificou as medidas como “desproporcionais” e disse que a suspensão das empresas “impõe punição antecipada, sem acusação, processo ou condenação”. Os advogados afirmam que a investigação nasceu da Operação Sem Desconto, com a qual Tomaz não teria relação. O Poder360 informou que procurou a defesa e não obteve resposta até a publicação de sua reportagem.

As fontes divergem sobre a natureza do cadastro de Flávio. A PF fala em acesso operacional relevante, enquanto a defesa do senador nega qualquer movimentação. A investigação segue em andamento, e o STF ainda não se manifestou sobre o mérito das acusações.

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